domingo, 30 de novembro de 2008

Fechando pra balanço

Por muito tempo da minha vida não dei espaço pro coração, na verdade acho que nunca dei espaço realmente pra ele, por muito tempo fui “Paula”, até ganhei esse apelido de uma amiga de confissão, não porque achasse que não precisava de ninguém pro coração, mas porque nunca tive paciência, nunca tive sorte pra isso. Não entendia como as pessoas eram tão dependentes de outras, como mudavam o curso da vida por gostar, por querer bem, como usavam manias, trejeitos do outro, como mudavam o comportamento, não saiam, davam satisfação pra tudo, isso não combinava comigo, que sempre dei satisfação por opção. Isso foi assim até o dia em que me apaixonei. “Meu Deus, é de verdade, é um milagre!” foi o que ouvi da amiga de confissão. Mas como disse, nunca tive sorte pra essas coisas, fui ter logo uma paixão platônica, dessas bem loucas, sem explicação, dessas que não controla os impulsos, mas que ao mesmo tempo morre de vergonha, de medo idiota, que cada vez que vê a pessoa amada sente fios elétricos passando pelo corpo inteiro, dando descargas de uns dez mil volts, num músculo tão frágil que é o coração. Pronto o negócio tava feito, tinha uma paixão impossível agora, pior que isso só um fora, e foi o que aconteceu, o fora veio,vários deles. Eu não disse que não tinha sorte? Pois é, e ainda tive que vê-lo depois disso, legal né? É, né legal não. É ruim, ruim mesmo. Daí eu resolvi desistir de investir nisso tudo, porque só devemos desistir do que faz mal a alguém ou a nós mesmos, e tudo isso estava/está me fazendo mal, e essa não é a intenção, não quero que nada disso se mostre feio, triste, ou ruim. Sabe, e eu sou uma pessoa até legalzinha e tenho certeza que tenho o direito de ser feliz, direito não, obrigação. Todos nós temos. Obrigação de se sentir bem, de se sentir seguro, de poder dar carinho e receber em troca, isso sem culpa, sem medo, sabe, andar de mãos dadas na praia, sentar pra conversar e esquecer a hora, conversar até tarde no telefone, rir, brigar, chorar, esse monte de coisa aí, que vivem as pessoas que encontram outras bem legais e resolvem apostar. E já que não deu certo, eu tô fechando meu coração pra balanço. Final de ano um balanço é necessário, pra um ano novo, que vai nascer bem melhor, eu creio assim. Vou fazer um balanço de tudo. Depois do balanço aí eu vejo o que lucrei, o que perdi, ver o que realmente é melhor pra cada um. Isso até pode parecer comum a quem, por alguma conspiração do Universo, chegar a ler isso aqui, afinal esse tipo de história é comum a muita gente, mais do que se possa imaginar, é sério, descobri isso ao ler o blog do Fernando Carrara, lá ele fala de amores impossíveis e aconselha quem passa por um. http://fernandocarrara.blogspot.com/2008/10/amores-impossveis.html

domingo, 23 de novembro de 2008

A dura missão de ser peixe

Ele passou por ela com uma vara de pescar, um balde e a tenacidade de menino. Sua determinação com os passos rumo à lagoa era tamanha que a fez perguntar: - Filho, vai pra onde? - Vou pescar mãe, vou pescar uns peixes pra colocar no aquário da nossa sala. - Esses peixes aí não servem não. Pra colocar no aquário tem que ser peixe bonito, desses artesanais, coloridos. Assim não serve não. - Mas, ah mãe! Eu vou pescar e se eu não gostar do peixe eu devolvo ele pra água. Assim ele foi, seguindo sua vontade de se tornar um verdadeiro pescador. Sentou-se à beira da lagoa, e pôs seus dois pezinhos brancos e gordos na água e ficou a firulá-los, debatendo-os como se fossem a isca, que mais a frente dançava, embalada pela pequena corrente que se fazia na água. De repente, algo começa a mexer na vara de pescar do aprendiz, “fisgou é bem certo”, pensou ele, e começou a puxar, era um peixe, não era lá essas coisas, mas era seu primeiro peixe fisgado assim, sem a ajuda de um adulto, sem a ajuda do avô ou do pai. Tirou o peixe do anzol, olhou-o, fitou suas barbatanas, estavam feridas, era pequeno, sem graça, talvez fosse um peixe meio velho, mas era seu peixe e isso o empolgava, de tal forma que pensou duas vezes em devolvê-lo pra água, queria mesmo era ficar com o peixe, e até quem sabe colocá-lo no aquário da sala. Mas acabou cedendo ao refugar do pequeno animal e colocou-o novamente na água. O arrependimento veio em seguida, queria o peixe, queria seu peixe, aquele que tinha conseguido pescar sozinho. Então começou a pensar consigo, “quem sabe se eu jogar a isca novamente ele volte, afinal viu que não queria lhe fazer nenhum mal”, e não pensou duas vezes jogou a isca e, novamente, o mesmo peixe a fisgou, não se sabe qual o problema do peixinho, talvez tivesse sido fome demais, ou terá visto mesmo o peixinho que não havia mal nenhum nas mãos gordinhas do garotinho? Sabe-se lá, vai entender juízo de peixe (será que eles têm?). Isso não vem ao caso, o certo é que o garoto não podia acreditar no que estava em suas mãos, o mesmo peixe, ele o reconheceu pelas feridas, pelos detalhes que tanto lhe impressionou da primeira vez. E gritou: - Mãe, Mãe, eu peguei duas vezes o mesmo peixe, acredita? Como eu consegui? - Deixa de judiar do bichinho filho, devolve pra água. E vem pra dentro que já está na hora do almoço. Mas ele não deu ouvidos à voz da mãe, ficou lá, pegando no peixinho e olhando, depois colocando no balde de água fria, ora nas mãos gordinhas e quentes, ora no balde. Até que o peixinho não agüentou e morreu. Quando ele percebeu que o pequeno animal havia partido dessa para a melhor, olhou fez um bico e meneou a cabeça, e pensou “era só um peixe”. A mãe veio chamá-lo para o almoço, quando viu o peixinho morto em suas mãos: - Filho, o que foi que a mamãe disse sobre os peixinhos daqui, que não dava pra pô-los no aquário, que não são peixes de enfeite, que não são peixes que vivam presos a vida inteira num aquário? Não foi? Aí ó matou o bichinho. - Mas mãe, não era minha intenção, eu pensava que ele conseguia viver fora da água só um pouquinho. Era meu peixinho. Por um instante foi. - Agora é tarde, ele morreu, não se brinca assim com os seres da natureza filho, vamos almoçar. - Mãe, o que vamos comer no almoço hoje? - Peixe!

E peixe corre? Eu até já imaginava, que se mordesse a isca novamente morreria Que se voltasse de onde estava, não agüentaria E pararia novamente Eu até imaginava, que se fechasse os olhos e corresse Pos mais velozes que meus passos fossem não alcançariam E pararia novamente Eu até imaginava que a chance era jogada, que de nada valia arriscada A isca era perigo iminente Eu até imaginava, que não importava a maneira De que forma me entregasse era só esperar para ver E por já saber o final, e por ser tão difícil entender Deixe-me no meu pequeno lago, que de mar bravio eu tenho medo, Não tenho espírito de Nemo, ninguém me disse pra saber Aqui eu sou feliz, longe dos grandes animais marinhos, Uma anêmona de saudade, um polvo de desejo, um tubarão de ciúmes, Me deixe longe desse mar, porque sou peixe de água doce, Um tambaqui, um pirarucu, não, não, esses são grandes E eu sou peixinho, que nadava feliz até me levarem pro mar "salgado" da paixão.

domingo, 2 de novembro de 2008

Desabafo

Muito de mim é cansaço agora. Muito não, tudo em mim. Mas é cansaço físico mesmo, desses de derrubar a muralha que às vezes a gente acha que é. E quando chega a noite você vê que ainda não acabou, que ainda tem mais uma luta pra vencer, aquela com a sua mente, embora o seu corpo diga que já terminou o expediente, ela ainda está a 300 por hora, e aí começa a mais difícil batalha, você contra você mesmo, você contra as contas do final do mês, você contra aquele problema do trabalho quase impossível de se resolver, e é a sua cabeça que vai rolar, você contra... . Quando enfim você consegue dormir, nem sentiu, os passarinhos já começam a cantar, sim porque aqui eu ainda tenho a dádiva de me acordar ao som dos pássaros, e, com este meu celular ancestral e ultimamente sem som, acaba sendo os pássaros quem me acordam mesmo. Aí o dia exige de você o que você não entrou em acordo no dia anterior. Você pensa em chutar o pau da barraca, mas aí lembra que não tem barraca armada ainda, e sai procurando o que chutar. A raiva aumenta, as pessoas nem percebem, por muito tempo isso me perturbava, agora já não mais. Tudo dá errado -isso é comum a todos- você se conforta. A impressão é que ninguém valoriza o seu trabalho, em casa tem até quem pergunte pra onde você vai, aí você conta até 10 e diz vou pro terceiro expediente, aliviada por ter quem se preocupe com você, mesmo sem ter a mínima idéia do tamanho do pau que você tem que dar em doido, sem nenhuma apologia a violência, isso é só força de expressão. E a força, ela, parece acabar, quando passo pelo ônibus que me levaria pra casa, se pra lá eu fosse, e ainda dá tempo de ver do outro ônibus o motorista da minha linha conferindo os pneus e dando a partida, ô vontade de ir pra casa, fico pensando, mas ainda é o começo. E depois de tanto dizer: vai dar certo, pode, pode sim, tá certo, onde eu assino, você assina aqui, pode deixar, eu faço sim... vai crescendo uma vontade de ser indiferente, esquecer as promessas, e ser igual ao estereótipo, e você acaba pensando que essa história de fazer a diferença é a maior babaquice, ninguém liga mesmo, no final do mês o seu salário ainda vai dar dó até no terceirizado, que, em alguns casos, sem nenhum compromisso, espera apenas por seu vereador. Até que no ápice da sua raiva, no altar de imolação, o balcão, chega aquele rostinho redondo, e com aqueles olhinhos por trás dos óculos me olha e diz: - Tia, tá aqui o papel ó – e puxa um papelzinho todo amarrotado e sujo de dentro do bolso, e continua: - Tá sujo assim, porque eu derrubei no suco. Então você, do alto do seu egoísmo sustentado pela dor nas costas mais violenta de todos os tempos, desaba, recebe o papel e guarda, porque sabe que nasceu pra compreender, mesmo sabendo que receber o papel depois de uma semana do final do prazo já não fará tanta diferença assim. Mas o importante é que ele trouxe, ele acreditou no que eu faço, e a partir dali foi-se embora todo o meu cansaço, e a menina do balcão voltou a sorrir.




































Esse texto, mesmo sem ter quem o leia, iria ao ar na semana passada, mas por um bom motivo não foi. Ele não quer dizer nada a ninguém, apenas me deu vontade de publicá-lo por aqui porque conseguiu representar o meu cansaço dos últimos dias e uma experiência que tive no trabalho na quinta-feira.

E, como não poderia deixar de faltar, mais uns desses meus versos sem graça:




































Eu nunca mais tive tempo
de sentar na calçada
de assistir novela
de fofocar de madrugada
de falar de uma paixão




Eu nunca mais tive tempo
de arrumar a casa
meus livros, meus papéis de carta
de ouvir música sentada
olhando pro teto da casa




Porque eu conto as vezes
que posso sentar
os quilômetros que andei
os minutos que perdi
e o dinheiro que gastei.






sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Perfeito

Nele tudo eu amo Da ponta do pé ao último fio
O que eu mais gosto, feitos à mão
A boca mais linda e nela o sorriso
Os olhinhos pequenos guardando a imensidão
Fechados, desejo, abertos, perigo (ops)
O queixo perfeito
O cabelo difícil
Ah! nele eu amo mesmo tudo
Não, e o andar que me paralisa, até se de longe avistado
Também, ele foi todo desenhado
A cintura, o peito, os ombros, os braços
Cabem perfeitamente no meu abraço
Que eu queria sem troca lhe oferecer.





"E eu nem sei mais de nada" significa confusão, bagunça tudo, desmantelo da mente e do coração, uma espécie de medo misturado com raiva, uma espécie de paixão misturada com despeito, uma espécie de saudade misturada com um alívio. Esse blog era pra ser chamado Rafaela, aquela enferma, pois já basta essa corzinha de burro quando foge aí em baixo, mas era assim que tava o sentimento, que eu quis empurrar e tava conseguindo até que... sei lá, essas coisas inacabadas voltam na mente da gente e não querem sair. "E eu nem sei mais de nada" significa também eu deixo o sentimento e vou em seu lugar. E a gente tem que mudar, e vou começar pela cor que tem que ser vermelho mesmo, porque fica mais bonito e porque é assim que tem que ser.

domingo, 26 de outubro de 2008

E eu nem sei mais de nada (Parte II)

No dia do seu aniversário
No dia do seu aniversário eu não fiz um poema
Eu fiz melhor, eu fui te ver
No dia do seu aniversário escolhi a melhor roupa
dei um trato no cabelo me perfumei toda e fui te ver
No dia do seu aniversário choveu, choveu muito
desmanchou meu penteado
molhou o meu sapato
sujou a minha roupa
lavou todo o meu cheiro e eu não vi você.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

E eu nem sei mais de nada

Hoje o dia estava tão parado Também é feriado Os coletivos não andam tão lotados As ruas do centro da cidade estiveram desertas Aqui e acolá algumas portas abertas, fugindo da fiscalização Estiveram lá apenas os moradores de rua, dividindo seus despojos, dividindo sua miséria Até quando vai ser assim? me pergunto Quando o comércio fecha, quando essa loucura toda cessa por um segundo Quando a máquina do capitalismo parece deixar de roer suas engrenagens Percebemos o quanto somos frágeis, fúteis, dependentes E amanhã o que começa? nem preciso falar, amanhã é Natal Depois de todo dia do comerciário vem sempre o Natal É quando entraremos novamente na loucura do consumo, pra chegar então o carnaval
E o deserto das ruas me fez lembrar de mim...
E a solidão das ruas me fez lembrar de ti
E de que longe dele parece que tudo ficou assim
Feito a Rio Branco em dia de feriado
Longe dele tudo fica parado
E longe dele tudo é estático
E longe dele não tem música
E longe dele não tem som de pássaros
E longe dele tudo é sem sentido
E por mais que eu tente estar em outros abraços
Quando estou só é do seu abraço que sinto falta

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Pra quebrar o gelo: um certo trovador

Não me é comum tomar café com meu avô
Mas naquela manhã tinha que acontecer
E, sentados em sua sala, nós dois e a tv
A programação, adivinhem... Repente
Uma anunciação do que, só muito tarde,
Meus olhos puderam ver
Dois trovadores
Dessa vez não disputavam
Pelo contrário o tema da trova cantado
Era amor Pra você crer
Mais tarde
Um outro trovador
Desses que levou o amor ao abismo de morrer
Cantava suas paixões,
Iludindo mais corações
O que não pode a prometer





Foi que naquela manhã, não foram os repentes do Geraldo Amâncio que me acordaram, que eu acabei assistindo mesmo assim. Eu acordei bem mais cedo ou seria tarde?, daí surgiu isso aqui que faz tempo(sem tempo) quero escrever.

domingo, 12 de outubro de 2008

Ser criança

Ser criança
Como eu queria voltar a ser
Como é bom ser assim
Não pensar em coisa séria
E se alguém machuca,
Fica no cantinho, fazendo biquinho
Que vem logo um carinho
E se mente, entrega
Não tem como esconder
Todo mundo acredita,
No inocente ser
E se não quer ir à escola
A desculpa é sempre a mesma
Dor de barriga e muito choro
Pra mamãe então convencer
E se come meleca,
Tem frieira e é arteira
Tudo isso é sinal de saúde
O resto é besteira
Dá gosto de ver
E se faz coisa errada
Temendo a palmada
Vai logo detrás do papai se esconder
Ser criança
Como eu queria voltar a ser
Sem medo, sem preocupação
Longe das batidas de ponto,
Do cansaço, do patrão
Ser criança
Como eu queria voltar a ser
O dia dedicado me lembro
O último presente
guardado ainda tenho, a envelhecer
Mas criança não dá pra voltar a ser
O que me resta é extravasar
Essa criança que há em mim
Do jeito que eu bem entender
E pouco me importa se me perguntam
quando que eu vou crescer






Ciranda da Bailarina
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga,tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem,
todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem
Adriana CalcanhotoComposição: Edu Lobo / Chico Buarque

sábado, 13 de setembro de 2008

Proibido chorar


"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!"
(Não conheço a autoria)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O pão A Palavra O amor

O pão alimenta o homem
É por ele que toda manhã
Uma redoma de gente corre de um lado para o outro.
É por ele que se faz guerra
A Palavra alimenta o ego
É por ela que se formou tudo o que se tem
Todos os dias milhares delas são ditas ao vento.
É por ela que se faz guerra
O amor alimenta a alma
É por ele que todas as noites volta-se pra casa
Numa confusão de luzes, sons e pensamentos.
É por ele que também se faz guerra
Nem só de pão viverá o homem
Nem só de palavras viverá o amor
E a guerra?

sábado, 23 de agosto de 2008

"Saudade é parafuso de rosca que nem batendo entra, só vai torcendo, torcendo...e torcendo"

Uma saudade que já arranha o peito faz um tempo. Lembrar de tudo o que construímos nesses 4 anos, faz a gente refletir, sorrir e até mesmo chorar. Não entendo como passou tão rápido, parece que estou vendo o dia em que entrei no departamento de Biblioteconomia pela primeira vez, e fui recebida pela Ingrid, hoje bibliotecária. Depois a recepção lá na ADUFC, o Jonjon sempre tratando a gente tão bem, e o bibliotur, nunca me esqueço, tudo isso passa como um filme na minha cabeça. Construímos muito de nós nesses quatro anos, mas o que de melhor fizemos foi, com certeza, as amizades, os elos, as “hibridações” (como diz o professor Tadeu), nada melhor do que externar esse sentimento e essa saudade que já atravessa nosso coração. Como não lembrar das duplas, Bárbara e Sofia, Giordana e Séfora, Ananda e Dani, ou o trio, Aline, Elisama e Cibele, ou ainda o quarteto, Mônica, Val, Conceição e Rafaela. E as três-marias Guerreiro, Henrique e Chagas, com algumas participações da Mastroianni (Geórgia) Convivemos com nossas diferenças e aprendemos a respeitá-las. Aqui, eu me lembro das aulas de Filosofia e do “sertanojo”, ops! o respeito gente, não importa se dá nojo ou não, o respeito. Prof° Eduardo Chagas, com ele o primeiro seminário e a Biblioteca de Alexandria, lugar de cura das almas. O professor Assis e as starlight, vão tudo entrar pro high society! E quem lembra do Eduardo Freire, e a “vaca está no pasto” kkkkkk, depois veio o prof° Clódson, com seu Durkheim e sua L 200, rsrsrsrs Depois o Cícero e suas falácias, sempre dizendo não Rafaela não é isso! Chegamos ao ponto de ganhar o título de pior turma da história da Biblioteconomia cearense. Quem lembra? A expectativa com a chegada da professora PHD, aquela que vinha do Canadá (ops!) e a gente ia pegar logo de cheio, Drª Virgínia Bentes vindo com força total e de quebra um pós-doutorado, meu Deus estávamos lascados. Alguém ainda lembra alguma coisa de estatística? Se lembrar, me fale, estou precisando de aulas. E agora, no final, o Marcus Vinícius, com sua paixão escancarada pelo Machado de Assis, e suas Helenas e Capitus. E os casais que foram feitos. Henrique e Núbia, nem me fale, ô cabra mole esse Henrique, quase que perdia a moça com tanta enrolação naquele banquinho. E Sofia e Jonathas, o casal mais bibliotecário que existe. Leonid e Cris, bem antes já eram. E o mais representativo, Kátia e Josimar, tem até trilha sonora “... e quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração...”. Gente, eu ia me esquecendo, tem o Davi que marcou um golaço nos acréscimos do segundo tempo com a Lorena. Nossos seminários, trabalhos, as nossas confusões, meu Deus, como passam rápidos esses quatro anos, se pudéssemos voltar no tempo. Casa de praia que nunca dava certo ir todo mundo, festa black-lilás, casamento, chá-de-panela, pão árabe na Gentilândia, as filas do RU, as gestões do CA, as reuniões no DCE (né Sofia? em prol do Bem do CA). A nossa artilheira Werlyana, orgulho da turma, a bibliotecária mais bonita do Ceará. O Zé Ronaldo, exterminando os bibelôs do céu (menina branquinha, candinha e que fala “ah não sei”). O Leandro chegando tarde do Fortal e fazendo o ônibus atrasar duas horas, todo mundo com fome viajando pra Maceió. E já no finalzinho, fomos chamadas de intocáveis, pelo fato de não fumar, não beber e não “ficar”. Só lembrando a minha filosofia: todo mundo pode ser o que quiser, você não precisa me aceitar, só manter a diplomacia. E finalmente, a pergunta que não quer calar, todos fecundarão ou não fecundarão? Não podia deixar de falar desse amigo, Guerreiro de luta e de nome. Temos ainda o povo que foi chegando: Gleicy, Vanessa, Juliana, Vanessa Wil, Laura e Manoela, e o povo que foi saindo: Neto, Marcílio, Beth, Cibele L, Lidiane e claro ela Margareth, menina excentricamente notável. Tem muita coisa que ainda falta escrever, mas o tempo não permite. O que fica é saudade apertando, por todos os lados por onde passo. Como diz o professor Airton Soares, a saudade é um parafuso de porca de rosca que nem batendo entra, só vai torcendo, e torcendo, e torcendo...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Amigos a gente escolhe, mas estes quem escolheu pra mim foi Deus

Amigo é flor que nasce no quintal de casa às vezes, até sem a gente pedir Mas é flor tão bonita que, da dádiva de ter nascido ali, a gente cuida sim.


domingo, 6 de julho de 2008

Um poema pra aliviar a dor

Soneto do amor traumatizado
Na febre do retorno eles se roem: sem a franqueza do primeiro passo um espera do outro o que lhe nega e os orgulhos duplicam as solidões.
Querer de volta o bem que foi pisado destrói-lhes a razão de ser querido
E para preservar seu amor-próprio enterram no dilema o próprio amor. Quem cede crê que cai: e se recusam.
Assim nenhum dos dois recebe a graça de que se querem alvo, mas não fonte.
Como não se permitem essa queda também não a perdoam para o outro. E o amor -de tanto amor- exclui o amor.
Pedro Lyra. Desafio: Uma poética de amor.

Remoendo amargos

Você faz assim
O que você faz, meu rapaz?
Passa por mim e arrasa
Me esnoba e ri na minha cara
Sabe o que você faz, meu rapaz?
Volta aos conselhos do amigo
E vê se me deixa em paz
Não te quero mais doeu
Mas doeu ainda mais
As estrelas e a lua
Assaltadas em pleno céu
Pra rimar com... Ah!
Deixa isso pra lá
Tripudiar sobre a dor alheia
Sei não, que coisa mais feia
Já pensou se descobrem
Que o menino de ouro
Aquele tão desejado
É na verdade
Um manipulador, um verdadeiro palhaço?
Não meu bem, você não é palhaço
Quem tá rindo aqui?
Palhaço, que horror
Ainda mais o meu amor, tão lindo assim

Ao jogador
Na verdade a pergunta está errada
Será que eu jogo tão bem no amor quanto jogo na linha?
Esta é a pergunta correta
Palhaço, não, você não é
Poeta, é dos melhores
Jogador, ah isso sim!
Mas disso eu já sabia
Jogador, me lembro ainda
Foi assim que eu te conheci
Entre todos da linha
Escolhido a dedo por mim
Numa partida sem adversário
Por W.O se sai vencedor
No campo do coração
Ganha mais quem ganha amor
Mas, cuidado com a contusão
No joelho já é difícil 
Ainda mais no coração

Não me olhe assim
Não, não me olhe assim
Que seus olhos não enganam mais a mim
Não, não me olhe assim
Coração estilhaçado está aqui
O fato, agora eu falo
É que nunca existiu um gostar
Existiu sim, o gostar do gostar
O gostar do saber que se gosta
E de que se é gostado
Quando se percebe o laço
Tira-se o pé e não cai mais
Quem ama cuida e quer bem
Não se deixa só
Não se mata, não pisa
Não se faz desdém,
Nem tripudia sobre o coração amado de alguém

Veja bem, meu bem
Sabe, meu bem
Olhe, veja bem
O que eu vejo e entendo
É que são muitas
São Antonias, são Teresas, são Raimundas
Elas abraçam
E eu... eu não
Sabe, meu bem
Olhe, veja bem
O que eu entendo
É um gostar do gostar, entenda e verás
Gostar do fato de se gostar
Gostar do fato de alguém gostar de você
E não, gostar desse alguém
Pois quem ama não machuca
Quem ama trata bem
Quem ama, meu bem, vem...

O que eu desejo pra você

Eu desejo pra você
Tudo de bom nessa vida
Saúde, amor e sucesso
Você merece, me dizer, ninguém precisa
Perfeito depois de você
Só dois você
Desejo que você não mude por causa de ninguém
Por te ferir ou por te querer bem
Desejo que você tenha caneta e papel sempre na mão
Que é pra não ter que magoar nenhum coração
Desejo que seja poeta, músico, e contista
O melhor amigo, o melhor pai, o melhor vizinho, por que filho bom você já é Desejo que se case
E que tenha uma mulher
Que seja uma mulher bonita
Pra que antes de trair você reflita
Nada de mulher rixosa
Que é pra você não se maldizer
Que você tenha cinco filhos
Quatro de vocês, e um adotado
Que é pra você se sentir realizado
Que tenha bons vizinhos
Uma casa cheia de amigos
E um coração cheio de fé
Que é pra quando vir os maus tempos
Você consiga ficar de pé
Desejo que seus sonhos se realizem, até os mais guardadinhos que é pra você não desistir da vida e tratá-la com carinho.
Desejo que você escreva um livro, plante uma árvore e tenha um filho. Desejo tudo de bom pra você.

Livre pra voar
 Meu amor não vai mais
Cruzar o meu caminho
Vai embora passarinho
Cantar meu sabiá
Longe de mim será feliz
Asas soltas pelo ar
Onde quiseres, então, tu pousas.
Quem dera fosse na minha janela

Quem quer ser livre é você
E agora vai
Pra quê alimentar demais a dor
Pra quem não tem costume
Pra quem nunca sofreu assim por amor
É fácil jogar a responsabilidade pra mim
Quem quer ser livre é você
E do meu abraço
Ainda guardado
Eu abro o laço
Braço por braço
E deixo você ir
Voa pra longe de mim
Pra um lugar onde
Eu não possa te sentir
Porque te ver, já não te vejo
Que é pra não aumentar o desejo de não deixar você partir.

 Escaravelhos
Eu já sou livre
Disso você já sabia
Em meu mundo ninguém mais existia diferente do seu, uma todo dia.
Eu esperei, ouvi e contemplei
Em mim,
Amargo fel
Nas outras flores,
Doce sabor
Eu mereço,
Pra vê se aprendo a buscar escaravelhos
Ao invés de beija-flor

domingo, 15 de junho de 2008

Eu, o Invasor. Você, a Resistência.


Sou um guerreiro.Vivo a procura de guerras. Sei que nem preciso, pois já tenho uma Fortaleza, que é só minha, que me guarda e é imbatível.
Mas ao passar pelas terras do Norte avistei uma Fortaleza, pequena e singela, mas imponente, que contradição?! Ela me despertou por ser assim, demonstrar simplicidade, e ao mesmo tempo imponência. Por fora é sem luxo, sem frescura, sem muros altos ou largos, sem muitos aparatos bélicos, só alguns canhões, algumas catapultas.
Mas a fama que corre é que dentro dela mora um mistério. É a força de Resistência da Fortaleza o segredo que passeia na boca do povo em todas as aldeias por onde passo, e é por isso que existem mais guerreiros, não só eu, em busca de invadi-la. Os outros guerreiros tem armas mais potentes que as minhas, são mais experientes na guerra, trazem histórias de velhos combates, de homens sangrando, de lutas com espadas, de piratas, de fogo, etc.
Eu não, não trago uma história emocionante, mas fico calado, ouço, observo, procuro, vigio, para ver a forma como posso me apossar da Fortaleza. Tenho um pequeno exército, na verdade é apenas um amigo desses tantos que achei por esses caminhos de aventuras. É meu fiel escudeiro, para ele digo um pouco quem sou eu. E ele sabe quem eu sou. Não me responde nada, acho que é por isso que somos amigos. Somos apenas nós dois, e às vezes acho que não temos chances nenhuma em relação aos outros guerreiros. Mas mesmo assim eu não desisto. Ah! é mais uma das minhas características, eu sou indesistível.
Já tentei invadir a Fortaleza, mas fui barrado por sua Resistência. Foi em uma certa vez ao observar que alguns guerreiros conseguiam entrar nela sem serem notados. Eles entravam camuflados, pela porta principal, o disfarce servia e a Resistência deixava-os passar sem desconfiança.
Acreditei que poderia também entrar disfarçado pelos portões. Que ilusão a minha! Fui negado, não sei se descobriram o meu disfarce ou se desconfiaram das minhas intenções, mas não pude entrar na fortaleza, o que será que deu errado com o meu disfarce, pensei durante dias. Eu vi os guerreiros não tão bem disfarçados assim, alguns entraram sem nem serem identificados, só pediram e foram atendidos, foram aceitos, entraram e lá e se instalaram.
Eu amarguei durante dias a decepção que me ocorrera nesse evento, sentava-me no monte, junto à árvore, e contemplava a Fortaleza. Às vezes sozinho, às vezes contando pro meu amigo. Confesso que tentei desistir, aí lembrei que eu era um guerreiro, trazia na alma, pobre alma, uma coragem maior até mesmo que meu próprio orgulho. Eu sou indestível pensei e tentei mais uma vez pela porta principal entrar, foi em vão.
Numa outra dessas tentativas, ainda mais frustrante, foi que eu quase morri. Juntei-me a alguns guerreiros mercenários para invadir a tão desejada Fortaleza. Certo guerreiro, “amigo”, disse que gostaria de entrar na luta só pelo prazer de lutar, de conquistar, ele me enganou. Na hora do combate, quando todos estávamos em fogo cruzado com a Resistência que, previamente adivinhou nosso ataque, ele entrou na Fortaleza, e sem eu ver conseguiu chegar lá, não me pergunte como, não houve Resistência, disso eu tenho certeza.
Saí ferido nesse ataque, quase morro é verdade. Quase não me recuperava, meu fiel escudeiro bem que tentou me ajudar, mas não teve jeito. Foram dias de dores, convalescimento, sem falar na frustração, dúvidas, tristeza e decepção. Eu era um guerreiro vencido, ferido e ainda tinha que ver meu “amigo”, agora meu algoz, fazendo parte da Resistência.
Depois de tanto tentar, passei a ignorar a Fortaleza. Quando vinha para os lados do Norte, para a labuta diária no comércio, negociar, já nem olhava para ela, dava uma volta de quase duas horas, pelo monte da árvore, para não ter que contemplá-la tão ostentosa. As forças de Resistência faziam a guarda e eu não podia nem me aproximar.
Assim, foram passando tardes, dias, meses, e nos comércios e nas feiras eu ouvia o murmurinho: prenderam mais um desses guerreiros que tentaram entrar na Fortaleza. São mercenários, que tentam invadir os muros para destruir e apoderarem-se da força de guerra da Fortaleza, diziam as falas dos feirantes, homens simples da região. Surpreendi-me com um que me disse: não há quem intente contra esta Fortaleza, jovem, e saia com vida.
Aquilo despertou o meu desejo de conquistá-la. O desejo que estava tentando adormecer. Voltei ao monte e passei novamente a observá-la, vigiá-la, nos finais de tarde logo após o trabalho, o cansaço por mais que fosse grande não me impedia de ir até aquele monte, sempre acompanhado de meu amigo, eu ia olhá-la, estudar e descobrir outra forma de invadi-la com as minhas pequenas forças.
Passados alguns dias, depois de muita vigia e observação, notei algumas falhas na força de Resistência da Fortaleza, aqui e acolá vejo que não é tudo o que dizem, deixa rastros de dúvidas e às vezes eu penso que ela é pretensiosa. Nem aparenta essa força toda, percebi que eles não maneiam bem as espadas, preferem a vigia, a precaução ao ataque em si. Pensei que isso pudesse ser medo, medo de que descubram que a Fortaleza não é tudo o que as bocas falam por aí.
Ao descobrir seu medo, encontrei sua fraqueza, encontrei mais uma porta, que nem sempre é vigiada, a Resistência não vai lá com freqüência, ouvi alguns guerreiros dizer. Talvez eu tente entrar por esta porta, lá pode se entrar sem ser percebido, é o meio que vejo, vou novamente me disfarçar, e vou pedir pra entrar, depois que tiver dentro pensarei no meu plano B, por enquanto vou tentar apenas entrar na Fortaleza. Quero conhecê-la por dentro, suas armas, embora já conheça algumas, tentarei desarmá-las, arrisco minha vida e a de meu fiel escudeiro nesta empreitada. No próximo encontro trago notícias do sucesso ou do insucesso dessa aventura.
Pausa para um momento de reflexão: Homens são obstinados quando querem algo, fazem de um tudo pra conseguir, mas o que me impressiona nas mulheres é que além de serem obstinadas nunca se dão por vencidas. Para o homem, depois de tentar tudo e não conseguir nada eles desistem e resolvem partir pra outra mesmo com um coração cheio de dúvidas. As mulheres não, só depois de se sentirem aclaradas de todas as suas dúvidas é que resolvem desistir... não, criar um “plano B”.
Trago notícias da última batalha, tentei mais uma vez conquistar a Fortaleza, foi novamente inútil. Caminhei a passos lentos, minha saúde já não era a mesma depois de tantos combates, carecia de forças, forças essas que não vinham. Passei algum tempo esperando o momento, algum sinal, mas não veio, realmente arrisquei muito vindo até aqui, pensei, e quase perco a vida de meu fiel escudeiro, uma irresponsabilidade minha.
O fato é que fui barrado logo na entrada, na verdade eu tinha quase certeza de que isso ocorreria mais uma vez, só fui lá pra conferir, inocente? Nem tanto. Não houve combate, sem armas, sem dor, sem sangue derramado, pelo contrário, foi calmo, nenhuma Resistência, apenas meu fiel amigo foi ferido, na verdade eu o feri, quase precisou sacrificá-lo, mas eu decidi salvá-lo por que ele é muito importante pra mim, ainda mais agora.
À noite, disfarçado, fui até a porta que mencionei, na qual a Resistência nem sempre vai, havia uma fresta por onde pude olhar como era a Fortaleza por dentro, sim, por dentro ela era muito bonita, tanto quanto por fora, olhei pra mim, guerreiro de tantas batalhas e vi que não merecia me apoderar daquele lugar, que com essas minhas idas e vindas dessa vida de aventuras aquele lugar, sob o meu poder, se tornaria vazio e triste. Eu não teria paz se a conquistasse, seriam muitas guerras contra todos que tentassem tirá-la de mim. Decidi está bem assim, decidi desistir.
Naquela noite de uma grande tempestade, de ventos fortes, que quase não cessava, sentei-me ao caminho e, enquanto as águas corriam e lavavam-me as pequenas feridas, pensei em como tudo isso começou. Comecei a sorrir, ali, no meio das águas que se misturavam com minhas lágrimas, sorri, pensei e avaliei que era despeito tolo o meu sorriso, mas passados alguns dias vi que era alívio.
Orgulho ferido, que guerreiro já não se sentiu assim antes? Trouxe meu amigo ao ombro e cuidei de suas chagas. Agora estamos prontos não para conquistar fortalezas, não, não, dessas não mais. Partiremos em uma longa viagem, nos anelaremos a alguns guerreiros que lutam por uma coisa chamada, como é mesmo o nome?
... coração.


domingo, 8 de junho de 2008

Começando a encerrar...

Eita que tristeza, mas tá passando, afinal falta pouco pra acabar, só mais uns vinte dias A distância ajuda. E eu penso em tanta coisa engraçada, de como tudo começou. Eu falava dele pras minhas amigas e todas diziam: Não querida, ele é só um menino. Quando não, ouvia: Ele é perigoso! Essa última me faz sorrir... realmente ele é perigoso O Amor gente, ele é perigoso. Faz umas vergonhas na gente, faz com que nos sintamos tão tolos, viajando em pensamentos... E numa dessas minhas viagens comecei novamente a escrever e saiu muita coisa, foi meio assim eu sei lá como. Algumas eu escrevi aqui e num momento de raiva apaguei... Falando ora desse amor, ora de mim. Todas as palavras feitas pro Amor, tudo o que eu quis falar. Escrevi frases soltas, apegadas, por cima uma da outra, enfim, do lado do nome do Amor Dessas vou terminar publicando aqui algumas, de uma só vez, pra encerrar essa fase do Amor. Encerrando porque assim o Amor escolheu, e eu aceitei. É pra exagerar mesmo, coisas de quem tá abobalhado, arreados os cinco pneus, traseiros, dianteiros e o step. vixi!!!! Ao Amor, esse menino arteiro que bagunça o coração da gente, que solta num sorriso cores de muitos sonhos, que de tão perigoso afasta até os mais ousados, que desperta versos esquecidos, empoeirados, guardados há tempos, que enfeita com flores caminhos diários, que nos faz, pro nada, sorrir, no ônibus, na topic... (rsrsrsrsrs) Já perdi o lirismo, mas quem liga? se é verdade mesmo!
Então,

Quero um amor
Quero um amor, mas deixe-me explicar como quero um amor
Não precisa ser algo grande assim
Quero um amor suave
Sim, sim, um amor suave
Não precisa me dizer delícias
Não precisa segurar meus livros
Ou ir até o ponto de ônibus comigo
Não precisa ligar todos os dias
Falando declarações tolas
Mas me falar de tudo
Do que eu quero e não quero ouvir
Quero um amor que conheça meus desejos meus sonhos, meus defeitos que dedique uma música pra mim e me eleja para ser sua musa
Quero um amor que basta ter certeza
Que seja calmo, suave
Sem muita ansiedade basta ter certeza
Não precisa grudar cartazes nas paredes do coração, mas pendurar nele uma placa, dizendo:este é seu lugar, é aqui que vais morar ____________________________________

Falta uma parte
E logo eu
Que sempre fui feita de retalhos, de pedaços emendados
Que nunca fui completa
Que nunca fui inteira
Falta algo, neste plano, em mim
Algo material, mas puro
Falta uma parte
Falta um complemento
Falta você.
__________________________________

Amanhã
Amanhã é tarde
Amanhã não terei tanta certeza
Amanhã é outra coisa
Amanhã é dúvida
Amanhã é cansaço
Sim, cansaço.
Amanhã é quase noite
E quando é noite não se vê
O que eu trago aqui dentro
E guardei só pra você
 ________________________________

As tardes
As tardes eram as minhas preferidas
As mais esperadas
As mais aplaudidas
As tardes traziam-me esperanças
Levavam-me alegrias
Deixaram-me lembranças
Naquelas tardes
Os amantes se encontravam
E em olhares se abraçavam
Naquelas tardes,
Que eram mais dia
Que eram mais sol
Que resta a partida
E alguém que ficou só
 _________________________________

Olha que pro coração tem jeito!
Se ele bate muito apertado
Se ele bate muito ligeiro
Se ele bate bem compassado
Se ele parece um pouco arteiro
Se ele pensa em até parar
Se ele pensa estar cansado
Se ele pensa em desanimar
Se ele parece que é desprezado
Só tem um jeito pro coração:
Continuar... forte a bater
Ou decidir então parar
Parar... e então morrer...
 __________________________________

Tudo no –inho
 É um rapazinho
Que quando entardece
Na rua vejo passar
Nele é tudo inho
Magrinho, branquinho
Ele tem um andarzinho
de quem não tem com o quê se preocupar
De vez em quando
Vem aqui
Nessa porta
E me rouba algo
Ás vezes um pensamento
Outras, uma palavra
Ás vezes um olhar
Outras, um sorriso
Acabo cobrando-lhe por isso
Tenho medo de empobrecer
Por tanto que me roubastes
Meu pobre garotinho
Tão rico tu ficastes
___________________________________________


Mundos diferentes
Separados por tantos quilômetros
Tantos telhados, muros, luzes... que passam, passam
São tão rápidas
E eu me escondo da dor que é ver e não ter
Meu medo aumenta
O tempo chega, ele é cruel, eu já falei.
E vai passando, nos separando
São sábados e domingos
Feriados, nunca pensei que pudesse não desejá-los
E passam, passam
Dias e dias, e eu penso que é o fim
E passam, passam, vai saber
Coisas que só o coração pode entender
Quero entender, mas não consigo
São palavras e gestos difíceis pra mim
Espero um pouco e não desligo
Coração me diz pra ser assim
Ainda penso que podiam ser pra mim
Todas as frases ditas na agonia
Todos os versos de alegria
Sim, podiam ser meus
Mas que pretensão, não é assim querida!
Não existe só uma Maria no mundo...
Nesse mundão que gira o tempo todo, o dia todo, a noite inteira
e que faz a gente se esbarrar
Nas esquinas, nas portas, nas mesas de cantina, ou em qualquer lugar (isso parece uma música que eu conheço)
Eu vejo que tudo vai se esvaindo, esmaecido no ar
Seu sorriso, meu sorriso
Já não buscam a mesma direção,
Seu olhar agora está na contramão. __________________________________

Nossa! quanto orgulho
Ontem umas palavras
Hoje já muda tudo
Desculpo seu egoísmo
Mais ainda sua indecisão
Desculpo seu medo
Suas dúvidas
Minha ilusão
Se queres a certeza
Agora me tens na mão
Compreenda minha fraqueza
Entenda meu coração
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Eu entendi
Meu bem, eu sempre entendo
E te deixo ir
Te dou alforria
Não tenhas medo
Só não te entregues tanto
tenha-me como exemplo, por um pouco só de entrega
olha só o que ganhei, ou melhor, perdi
Vá e encontrarás alguém
Que realmente te mereça
Alguém que... (deixe-me dizer) seja perfeita
Em meio a muitas dores você foi a alegreia
Em meio a feridas tão doloridas bastava você aparecer no meu dia
Se passar por mim, sorria
Se quiser, até fale também
Quem aprende a chora desde cedo com as dores
não sabe o que é guardar rancores
Só me deixe retirar os versos
que aqui já não fazem tanto sentido
Pra mim também chega,
eu quero sossego
Até breve, meu amigo
 _______________________________

Voltaremos sem data marcada
Alguém já me falou
Em alguma página
Em alguma história
Em algum poema de amor