sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Perfeito

Nele tudo eu amo Da ponta do pé ao último fio
O que eu mais gosto, feitos à mão
A boca mais linda e nela o sorriso
Os olhinhos pequenos guardando a imensidão
Fechados, desejo, abertos, perigo (ops)
O queixo perfeito
O cabelo difícil
Ah! nele eu amo mesmo tudo
Não, e o andar que me paralisa, até se de longe avistado
Também, ele foi todo desenhado
A cintura, o peito, os ombros, os braços
Cabem perfeitamente no meu abraço
Que eu queria sem troca lhe oferecer.





"E eu nem sei mais de nada" significa confusão, bagunça tudo, desmantelo da mente e do coração, uma espécie de medo misturado com raiva, uma espécie de paixão misturada com despeito, uma espécie de saudade misturada com um alívio. Esse blog era pra ser chamado Rafaela, aquela enferma, pois já basta essa corzinha de burro quando foge aí em baixo, mas era assim que tava o sentimento, que eu quis empurrar e tava conseguindo até que... sei lá, essas coisas inacabadas voltam na mente da gente e não querem sair. "E eu nem sei mais de nada" significa também eu deixo o sentimento e vou em seu lugar. E a gente tem que mudar, e vou começar pela cor que tem que ser vermelho mesmo, porque fica mais bonito e porque é assim que tem que ser.

domingo, 26 de outubro de 2008

E eu nem sei mais de nada (Parte II)

No dia do seu aniversário
No dia do seu aniversário eu não fiz um poema
Eu fiz melhor, eu fui te ver
No dia do seu aniversário escolhi a melhor roupa
dei um trato no cabelo me perfumei toda e fui te ver
No dia do seu aniversário choveu, choveu muito
desmanchou meu penteado
molhou o meu sapato
sujou a minha roupa
lavou todo o meu cheiro e eu não vi você.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

E eu nem sei mais de nada

Hoje o dia estava tão parado Também é feriado Os coletivos não andam tão lotados As ruas do centro da cidade estiveram desertas Aqui e acolá algumas portas abertas, fugindo da fiscalização Estiveram lá apenas os moradores de rua, dividindo seus despojos, dividindo sua miséria Até quando vai ser assim? me pergunto Quando o comércio fecha, quando essa loucura toda cessa por um segundo Quando a máquina do capitalismo parece deixar de roer suas engrenagens Percebemos o quanto somos frágeis, fúteis, dependentes E amanhã o que começa? nem preciso falar, amanhã é Natal Depois de todo dia do comerciário vem sempre o Natal É quando entraremos novamente na loucura do consumo, pra chegar então o carnaval
E o deserto das ruas me fez lembrar de mim...
E a solidão das ruas me fez lembrar de ti
E de que longe dele parece que tudo ficou assim
Feito a Rio Branco em dia de feriado
Longe dele tudo fica parado
E longe dele tudo é estático
E longe dele não tem música
E longe dele não tem som de pássaros
E longe dele tudo é sem sentido
E por mais que eu tente estar em outros abraços
Quando estou só é do seu abraço que sinto falta

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Pra quebrar o gelo: um certo trovador

Não me é comum tomar café com meu avô
Mas naquela manhã tinha que acontecer
E, sentados em sua sala, nós dois e a tv
A programação, adivinhem... Repente
Uma anunciação do que, só muito tarde,
Meus olhos puderam ver
Dois trovadores
Dessa vez não disputavam
Pelo contrário o tema da trova cantado
Era amor Pra você crer
Mais tarde
Um outro trovador
Desses que levou o amor ao abismo de morrer
Cantava suas paixões,
Iludindo mais corações
O que não pode a prometer





Foi que naquela manhã, não foram os repentes do Geraldo Amâncio que me acordaram, que eu acabei assistindo mesmo assim. Eu acordei bem mais cedo ou seria tarde?, daí surgiu isso aqui que faz tempo(sem tempo) quero escrever.

domingo, 12 de outubro de 2008

Ser criança

Ser criança
Como eu queria voltar a ser
Como é bom ser assim
Não pensar em coisa séria
E se alguém machuca,
Fica no cantinho, fazendo biquinho
Que vem logo um carinho
E se mente, entrega
Não tem como esconder
Todo mundo acredita,
No inocente ser
E se não quer ir à escola
A desculpa é sempre a mesma
Dor de barriga e muito choro
Pra mamãe então convencer
E se come meleca,
Tem frieira e é arteira
Tudo isso é sinal de saúde
O resto é besteira
Dá gosto de ver
E se faz coisa errada
Temendo a palmada
Vai logo detrás do papai se esconder
Ser criança
Como eu queria voltar a ser
Sem medo, sem preocupação
Longe das batidas de ponto,
Do cansaço, do patrão
Ser criança
Como eu queria voltar a ser
O dia dedicado me lembro
O último presente
guardado ainda tenho, a envelhecer
Mas criança não dá pra voltar a ser
O que me resta é extravasar
Essa criança que há em mim
Do jeito que eu bem entender
E pouco me importa se me perguntam
quando que eu vou crescer






Ciranda da Bailarina
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga,tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem,
todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem
Adriana CalcanhotoComposição: Edu Lobo / Chico Buarque