Por muito tempo da minha vida não dei espaço pro coração, na verdade acho que nunca dei espaço realmente pra ele, por muito tempo fui “Paula”, até ganhei esse apelido de uma amiga de confissão, não porque achasse que não precisava de ninguém pro coração, mas porque nunca tive paciência, nunca tive sorte pra isso. Não entendia como as pessoas eram tão dependentes de outras, como mudavam o curso da vida por gostar, por querer bem, como usavam manias, trejeitos do outro, como mudavam o comportamento, não saiam, davam satisfação pra tudo, isso não combinava comigo, que sempre dei satisfação por opção. Isso foi assim até o dia em que me apaixonei. “Meu Deus, é de verdade, é um milagre!” foi o que ouvi da amiga de confissão.
Mas como disse, nunca tive sorte pra essas coisas, fui ter logo uma paixão platônica, dessas bem loucas, sem explicação, dessas que não controla os impulsos, mas que ao mesmo tempo morre de vergonha, de medo idiota, que cada vez que vê a pessoa amada sente fios elétricos passando pelo corpo inteiro, dando descargas de uns dez mil volts, num músculo tão frágil que é o coração.
Pronto o negócio tava feito, tinha uma paixão impossível agora, pior que isso só um fora, e foi o que aconteceu, o fora veio,vários deles. Eu não disse que não tinha sorte? Pois é, e ainda tive que vê-lo depois disso, legal né? É, né legal não. É ruim, ruim mesmo.
Daí eu resolvi desistir de investir nisso tudo, porque só devemos desistir do que faz mal a alguém ou a nós mesmos, e tudo isso estava/está me fazendo mal, e essa não é a intenção, não quero que nada disso se mostre feio, triste, ou ruim. Sabe, e eu sou uma pessoa até legalzinha e tenho certeza que tenho o direito de ser feliz, direito não, obrigação. Todos nós temos. Obrigação de se sentir bem, de se sentir seguro, de poder dar carinho e receber em troca, isso sem culpa, sem medo, sabe, andar de mãos dadas na praia, sentar pra conversar e esquecer a hora, conversar até tarde no telefone, rir, brigar, chorar, esse monte de coisa aí, que vivem as pessoas que encontram outras bem legais e resolvem apostar.
E já que não deu certo, eu tô fechando meu coração pra balanço. Final de ano um balanço é necessário, pra um ano novo, que vai nascer bem melhor, eu creio assim. Vou fazer um balanço de tudo. Depois do balanço aí eu vejo o que lucrei, o que perdi, ver o que realmente é melhor pra cada um.
Isso até pode parecer comum a quem, por alguma conspiração do Universo, chegar a ler isso aqui, afinal esse tipo de história é comum a muita gente, mais do que se possa imaginar, é sério, descobri isso ao ler o blog do Fernando Carrara, lá ele fala de amores impossíveis e aconselha quem passa por um.
http://fernandocarrara.blogspot.com/2008/10/amores-impossveis.html
domingo, 30 de novembro de 2008
Fechando pra balanço
Por muito tempo da minha vida não dei espaço pro coração, na verdade acho que nunca dei espaço realmente pra ele, por muito tempo fui “Paula”, até ganhei esse apelido de uma amiga de confissão, não porque achasse que não precisava de ninguém pro coração, mas porque nunca tive paciência, nunca tive sorte pra isso. Não entendia como as pessoas eram tão dependentes de outras, como mudavam o curso da vida por gostar, por querer bem, como usavam manias, trejeitos do outro, como mudavam o comportamento, não saiam, davam satisfação pra tudo, isso não combinava comigo, que sempre dei satisfação por opção. Isso foi assim até o dia em que me apaixonei. “Meu Deus, é de verdade, é um milagre!” foi o que ouvi da amiga de confissão.
Mas como disse, nunca tive sorte pra essas coisas, fui ter logo uma paixão platônica, dessas bem loucas, sem explicação, dessas que não controla os impulsos, mas que ao mesmo tempo morre de vergonha, de medo idiota, que cada vez que vê a pessoa amada sente fios elétricos passando pelo corpo inteiro, dando descargas de uns dez mil volts, num músculo tão frágil que é o coração.
Pronto o negócio tava feito, tinha uma paixão impossível agora, pior que isso só um fora, e foi o que aconteceu, o fora veio,vários deles. Eu não disse que não tinha sorte? Pois é, e ainda tive que vê-lo depois disso, legal né? É, né legal não. É ruim, ruim mesmo.
Daí eu resolvi desistir de investir nisso tudo, porque só devemos desistir do que faz mal a alguém ou a nós mesmos, e tudo isso estava/está me fazendo mal, e essa não é a intenção, não quero que nada disso se mostre feio, triste, ou ruim. Sabe, e eu sou uma pessoa até legalzinha e tenho certeza que tenho o direito de ser feliz, direito não, obrigação. Todos nós temos. Obrigação de se sentir bem, de se sentir seguro, de poder dar carinho e receber em troca, isso sem culpa, sem medo, sabe, andar de mãos dadas na praia, sentar pra conversar e esquecer a hora, conversar até tarde no telefone, rir, brigar, chorar, esse monte de coisa aí, que vivem as pessoas que encontram outras bem legais e resolvem apostar.
E já que não deu certo, eu tô fechando meu coração pra balanço. Final de ano um balanço é necessário, pra um ano novo, que vai nascer bem melhor, eu creio assim. Vou fazer um balanço de tudo. Depois do balanço aí eu vejo o que lucrei, o que perdi, ver o que realmente é melhor pra cada um.
Isso até pode parecer comum a quem, por alguma conspiração do Universo, chegar a ler isso aqui, afinal esse tipo de história é comum a muita gente, mais do que se possa imaginar, é sério, descobri isso ao ler o blog do Fernando Carrara, lá ele fala de amores impossíveis e aconselha quem passa por um.
http://fernandocarrara.blogspot.com/2008/10/amores-impossveis.html
domingo, 23 de novembro de 2008
A dura missão de ser peixe
Ele passou por ela com uma vara de pescar, um balde e a tenacidade de menino.
Sua determinação com os passos rumo à lagoa era tamanha que a fez perguntar:
- Filho, vai pra onde?
- Vou pescar mãe, vou pescar uns peixes pra colocar no aquário da nossa sala.
- Esses peixes aí não servem não. Pra colocar no aquário tem que ser peixe bonito, desses artesanais, coloridos. Assim não serve não.
- Mas, ah mãe! Eu vou pescar e se eu não gostar do peixe eu devolvo ele pra água.
Assim ele foi, seguindo sua vontade de se tornar um verdadeiro pescador. Sentou-se à beira da lagoa, e pôs seus dois pezinhos brancos e gordos na água e ficou a firulá-los, debatendo-os como se fossem a isca, que mais a frente dançava, embalada pela pequena corrente que se fazia na água.
De repente, algo começa a mexer na vara de pescar do aprendiz, “fisgou é bem certo”, pensou ele, e começou a puxar, era um peixe, não era lá essas coisas, mas era seu primeiro peixe fisgado assim, sem a ajuda de um adulto, sem a ajuda do avô ou do pai. Tirou o peixe do anzol, olhou-o, fitou suas barbatanas, estavam feridas, era pequeno, sem graça, talvez fosse um peixe meio velho, mas era seu peixe e isso o empolgava, de tal forma que pensou duas vezes em devolvê-lo pra água, queria mesmo era ficar com o peixe, e até quem sabe colocá-lo no aquário da sala.
Mas acabou cedendo ao refugar do pequeno animal e colocou-o novamente na água. O arrependimento veio em seguida, queria o peixe, queria seu peixe, aquele que tinha conseguido pescar sozinho. Então começou a pensar consigo, “quem sabe se eu jogar a isca novamente ele volte, afinal viu que não queria lhe fazer nenhum mal”, e não pensou duas vezes jogou a isca e, novamente, o mesmo peixe a fisgou, não se sabe qual o problema do peixinho, talvez tivesse sido fome demais, ou terá visto mesmo o peixinho que não havia mal nenhum nas mãos gordinhas do garotinho? Sabe-se lá, vai entender juízo de peixe (será que eles têm?).
Isso não vem ao caso, o certo é que o garoto não podia acreditar no que estava em suas mãos, o mesmo peixe, ele o reconheceu pelas feridas, pelos detalhes que tanto lhe impressionou da primeira vez. E gritou:
- Mãe, Mãe, eu peguei duas vezes o mesmo peixe, acredita? Como eu consegui?
- Deixa de judiar do bichinho filho, devolve pra água. E vem pra dentro que já está na hora do almoço.
Mas ele não deu ouvidos à voz da mãe, ficou lá, pegando no peixinho e olhando, depois colocando no balde de água fria, ora nas mãos gordinhas e quentes, ora no balde. Até que o peixinho não agüentou e morreu. Quando ele percebeu que o pequeno animal havia partido dessa para a melhor, olhou fez um bico e meneou a cabeça, e pensou “era só um peixe”. A mãe veio chamá-lo para o almoço, quando viu o peixinho morto em suas mãos:
- Filho, o que foi que a mamãe disse sobre os peixinhos daqui, que não dava pra pô-los no aquário, que não são peixes de enfeite, que não são peixes que vivam presos a vida inteira num aquário? Não foi? Aí ó matou o bichinho.
- Mas mãe, não era minha intenção, eu pensava que ele conseguia viver fora da água só um pouquinho. Era meu peixinho. Por um instante foi.
- Agora é tarde, ele morreu, não se brinca assim com os seres da natureza filho, vamos almoçar.
- Mãe, o que vamos comer no almoço hoje?
- Peixe!
E peixe corre?
Eu até já imaginava, que se mordesse a isca novamente morreria
Que se voltasse de onde estava, não agüentaria
E pararia novamente
Eu até imaginava, que se fechasse os olhos e corresse
Pos mais velozes que meus passos fossem não alcançariam
E pararia novamente
Eu até imaginava que a chance era jogada, que de nada valia arriscada
A isca era perigo iminente
Eu até imaginava, que não importava a maneira
De que forma me entregasse era só esperar para ver
E por já saber o final, e por ser tão difícil entender
Deixe-me no meu pequeno lago, que de mar bravio eu tenho medo,
Não tenho espírito de Nemo, ninguém me disse pra saber
Aqui eu sou feliz, longe dos grandes animais marinhos,
Uma anêmona de saudade, um polvo de desejo, um tubarão de ciúmes,
Me deixe longe desse mar, porque sou peixe de água doce,
Um tambaqui, um pirarucu, não, não, esses são grandes
E eu sou peixinho, que nadava feliz até me levarem pro mar "salgado" da paixão.
E peixe corre?
Eu até já imaginava, que se mordesse a isca novamente morreria
Que se voltasse de onde estava, não agüentaria
E pararia novamente
Eu até imaginava, que se fechasse os olhos e corresse
Pos mais velozes que meus passos fossem não alcançariam
E pararia novamente
Eu até imaginava que a chance era jogada, que de nada valia arriscada
A isca era perigo iminente
Eu até imaginava, que não importava a maneira
De que forma me entregasse era só esperar para ver
E por já saber o final, e por ser tão difícil entender
Deixe-me no meu pequeno lago, que de mar bravio eu tenho medo,
Não tenho espírito de Nemo, ninguém me disse pra saber
Aqui eu sou feliz, longe dos grandes animais marinhos,
Uma anêmona de saudade, um polvo de desejo, um tubarão de ciúmes,
Me deixe longe desse mar, porque sou peixe de água doce,
Um tambaqui, um pirarucu, não, não, esses são grandes
E eu sou peixinho, que nadava feliz até me levarem pro mar "salgado" da paixão.
domingo, 2 de novembro de 2008
Desabafo
Muito de mim é cansaço agora. Muito não, tudo em mim. Mas é cansaço físico mesmo, desses de derrubar a muralha que às vezes a gente acha que é. E quando chega a noite você vê que ainda não acabou, que ainda tem mais uma luta pra vencer, aquela com a sua mente, embora o seu corpo diga que já terminou o expediente, ela ainda está a 300 por hora, e aí começa a mais difícil batalha, você contra você mesmo, você contra as contas do final do mês, você contra aquele problema do trabalho quase impossível de se resolver, e é a sua cabeça que vai rolar, você contra... . Quando enfim você consegue dormir, nem sentiu, os passarinhos já começam a cantar, sim porque aqui eu ainda tenho a dádiva de me acordar ao som dos pássaros, e, com este meu celular ancestral e ultimamente sem som, acaba sendo os pássaros quem me acordam mesmo. Aí o dia exige de você o que você não entrou em acordo no dia anterior. Você pensa em chutar o pau da barraca, mas aí lembra que não tem barraca armada ainda, e sai procurando o que chutar. A raiva aumenta, as pessoas nem percebem, por muito tempo isso me perturbava, agora já não mais. Tudo dá errado -isso é comum a todos- você se conforta. A impressão é que ninguém valoriza o seu trabalho, em casa tem até quem pergunte pra onde você vai, aí você conta até 10 e diz vou pro terceiro expediente, aliviada por ter quem se preocupe com você, mesmo sem ter a mínima idéia do tamanho do pau que você tem que dar em doido, sem nenhuma apologia a violência, isso é só força de expressão. E a força, ela, parece acabar, quando passo pelo ônibus que me levaria pra casa, se pra lá eu fosse, e ainda dá tempo de ver do outro ônibus o motorista da minha linha conferindo os pneus e dando a partida, ô vontade de ir pra casa, fico pensando, mas ainda é o começo. E depois de tanto dizer: vai dar certo, pode, pode sim, tá certo, onde eu assino, você assina aqui, pode deixar, eu faço sim... vai crescendo uma vontade de ser indiferente, esquecer as promessas, e ser igual ao estereótipo, e você acaba pensando que essa história de fazer a diferença é a maior babaquice, ninguém liga mesmo, no final do mês o seu salário ainda vai dar dó até no terceirizado, que, em alguns casos, sem nenhum compromisso, espera apenas por seu vereador. Até que no ápice da sua raiva, no altar de imolação, o balcão, chega aquele rostinho redondo, e com aqueles olhinhos por trás dos óculos me olha e diz: - Tia, tá aqui o papel ó – e puxa um papelzinho todo amarrotado e sujo de dentro do bolso, e continua: - Tá sujo assim, porque eu derrubei no suco. Então você, do alto do seu egoísmo sustentado pela dor nas costas mais violenta de todos os tempos, desaba, recebe o papel e guarda, porque sabe que nasceu pra compreender, mesmo sabendo que receber o papel depois de uma semana do final do prazo já não fará tanta diferença assim. Mas o importante é que ele trouxe, ele acreditou no que eu faço, e a partir dali foi-se embora todo o meu cansaço, e a menina do balcão voltou a sorrir.
Esse texto, mesmo sem ter quem o leia, iria ao ar na semana passada, mas por um bom motivo não foi. Ele não quer dizer nada a ninguém, apenas me deu vontade de publicá-lo por aqui porque conseguiu representar o meu cansaço dos últimos dias e uma experiência que tive no trabalho na quinta-feira.
E, como não poderia deixar de faltar, mais uns desses meus versos sem graça:
Eu nunca mais tive tempo
de sentar na calçada
de assistir novela
de fofocar de madrugada
de falar de uma paixão
Eu nunca mais tive tempo
de arrumar a casa
meus livros, meus papéis de carta
de ouvir música sentada
olhando pro teto da casa
Porque eu conto as vezes
que posso sentar
os quilômetros que andei
os minutos que perdi
e o dinheiro que gastei.
Assinar:
Postagens (Atom)