A dura missão de ser peixe
Ele passou por ela com uma vara de pescar, um balde e a tenacidade de menino.
Sua determinação com os passos rumo à lagoa era tamanha que a fez perguntar:
- Filho, vai pra onde?
- Vou pescar mãe, vou pescar uns peixes pra colocar no aquário da nossa sala.
- Esses peixes aí não servem não. Pra colocar no aquário tem que ser peixe bonito, desses artesanais, coloridos. Assim não serve não.
- Mas, ah mãe! Eu vou pescar e se eu não gostar do peixe eu devolvo ele pra água.
Assim ele foi, seguindo sua vontade de se tornar um verdadeiro pescador. Sentou-se à beira da lagoa, e pôs seus dois pezinhos brancos e gordos na água e ficou a firulá-los, debatendo-os como se fossem a isca, que mais a frente dançava, embalada pela pequena corrente que se fazia na água.
De repente, algo começa a mexer na vara de pescar do aprendiz, “fisgou é bem certo”, pensou ele, e começou a puxar, era um peixe, não era lá essas coisas, mas era seu primeiro peixe fisgado assim, sem a ajuda de um adulto, sem a ajuda do avô ou do pai. Tirou o peixe do anzol, olhou-o, fitou suas barbatanas, estavam feridas, era pequeno, sem graça, talvez fosse um peixe meio velho, mas era seu peixe e isso o empolgava, de tal forma que pensou duas vezes em devolvê-lo pra água, queria mesmo era ficar com o peixe, e até quem sabe colocá-lo no aquário da sala.
Mas acabou cedendo ao refugar do pequeno animal e colocou-o novamente na água. O arrependimento veio em seguida, queria o peixe, queria seu peixe, aquele que tinha conseguido pescar sozinho. Então começou a pensar consigo, “quem sabe se eu jogar a isca novamente ele volte, afinal viu que não queria lhe fazer nenhum mal”, e não pensou duas vezes jogou a isca e, novamente, o mesmo peixe a fisgou, não se sabe qual o problema do peixinho, talvez tivesse sido fome demais, ou terá visto mesmo o peixinho que não havia mal nenhum nas mãos gordinhas do garotinho? Sabe-se lá, vai entender juízo de peixe (será que eles têm?).
Isso não vem ao caso, o certo é que o garoto não podia acreditar no que estava em suas mãos, o mesmo peixe, ele o reconheceu pelas feridas, pelos detalhes que tanto lhe impressionou da primeira vez. E gritou:
- Mãe, Mãe, eu peguei duas vezes o mesmo peixe, acredita? Como eu consegui?
- Deixa de judiar do bichinho filho, devolve pra água. E vem pra dentro que já está na hora do almoço.
Mas ele não deu ouvidos à voz da mãe, ficou lá, pegando no peixinho e olhando, depois colocando no balde de água fria, ora nas mãos gordinhas e quentes, ora no balde. Até que o peixinho não agüentou e morreu. Quando ele percebeu que o pequeno animal havia partido dessa para a melhor, olhou fez um bico e meneou a cabeça, e pensou “era só um peixe”. A mãe veio chamá-lo para o almoço, quando viu o peixinho morto em suas mãos:
- Filho, o que foi que a mamãe disse sobre os peixinhos daqui, que não dava pra pô-los no aquário, que não são peixes de enfeite, que não são peixes que vivam presos a vida inteira num aquário? Não foi? Aí ó matou o bichinho.
- Mas mãe, não era minha intenção, eu pensava que ele conseguia viver fora da água só um pouquinho. Era meu peixinho. Por um instante foi.
- Agora é tarde, ele morreu, não se brinca assim com os seres da natureza filho, vamos almoçar.
- Mãe, o que vamos comer no almoço hoje?
- Peixe!

E peixe corre?
Eu até já imaginava, que se mordesse a isca novamente morreria
Que se voltasse de onde estava, não agüentaria
E pararia novamente
Eu até imaginava, que se fechasse os olhos e corresse
Pos mais velozes que meus passos fossem não alcançariam
E pararia novamente
Eu até imaginava que a chance era jogada, que de nada valia arriscada
A isca era perigo iminente
Eu até imaginava, que não importava a maneira
De que forma me entregasse era só esperar para ver
E por já saber o final, e por ser tão difícil entender
Deixe-me no meu pequeno lago, que de mar bravio eu tenho medo,
Não tenho espírito de Nemo, ninguém me disse pra saber
Aqui eu sou feliz, longe dos grandes animais marinhos,
Uma anêmona de saudade, um polvo de desejo, um tubarão de ciúmes,
Me deixe longe desse mar, porque sou peixe de água doce,
Um tambaqui, um pirarucu, não, não, esses são grandes
E eu sou peixinho, que nadava feliz até me levarem pro mar "salgado" da paixão.
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