domingo, 15 de junho de 2008

Eu, o Invasor. Você, a Resistência.


Sou um guerreiro.Vivo a procura de guerras. Sei que nem preciso, pois já tenho uma Fortaleza, que é só minha, que me guarda e é imbatível.
Mas ao passar pelas terras do Norte avistei uma Fortaleza, pequena e singela, mas imponente, que contradição?! Ela me despertou por ser assim, demonstrar simplicidade, e ao mesmo tempo imponência. Por fora é sem luxo, sem frescura, sem muros altos ou largos, sem muitos aparatos bélicos, só alguns canhões, algumas catapultas.
Mas a fama que corre é que dentro dela mora um mistério. É a força de Resistência da Fortaleza o segredo que passeia na boca do povo em todas as aldeias por onde passo, e é por isso que existem mais guerreiros, não só eu, em busca de invadi-la. Os outros guerreiros tem armas mais potentes que as minhas, são mais experientes na guerra, trazem histórias de velhos combates, de homens sangrando, de lutas com espadas, de piratas, de fogo, etc.
Eu não, não trago uma história emocionante, mas fico calado, ouço, observo, procuro, vigio, para ver a forma como posso me apossar da Fortaleza. Tenho um pequeno exército, na verdade é apenas um amigo desses tantos que achei por esses caminhos de aventuras. É meu fiel escudeiro, para ele digo um pouco quem sou eu. E ele sabe quem eu sou. Não me responde nada, acho que é por isso que somos amigos. Somos apenas nós dois, e às vezes acho que não temos chances nenhuma em relação aos outros guerreiros. Mas mesmo assim eu não desisto. Ah! é mais uma das minhas características, eu sou indesistível.
Já tentei invadir a Fortaleza, mas fui barrado por sua Resistência. Foi em uma certa vez ao observar que alguns guerreiros conseguiam entrar nela sem serem notados. Eles entravam camuflados, pela porta principal, o disfarce servia e a Resistência deixava-os passar sem desconfiança.
Acreditei que poderia também entrar disfarçado pelos portões. Que ilusão a minha! Fui negado, não sei se descobriram o meu disfarce ou se desconfiaram das minhas intenções, mas não pude entrar na fortaleza, o que será que deu errado com o meu disfarce, pensei durante dias. Eu vi os guerreiros não tão bem disfarçados assim, alguns entraram sem nem serem identificados, só pediram e foram atendidos, foram aceitos, entraram e lá e se instalaram.
Eu amarguei durante dias a decepção que me ocorrera nesse evento, sentava-me no monte, junto à árvore, e contemplava a Fortaleza. Às vezes sozinho, às vezes contando pro meu amigo. Confesso que tentei desistir, aí lembrei que eu era um guerreiro, trazia na alma, pobre alma, uma coragem maior até mesmo que meu próprio orgulho. Eu sou indestível pensei e tentei mais uma vez pela porta principal entrar, foi em vão.
Numa outra dessas tentativas, ainda mais frustrante, foi que eu quase morri. Juntei-me a alguns guerreiros mercenários para invadir a tão desejada Fortaleza. Certo guerreiro, “amigo”, disse que gostaria de entrar na luta só pelo prazer de lutar, de conquistar, ele me enganou. Na hora do combate, quando todos estávamos em fogo cruzado com a Resistência que, previamente adivinhou nosso ataque, ele entrou na Fortaleza, e sem eu ver conseguiu chegar lá, não me pergunte como, não houve Resistência, disso eu tenho certeza.
Saí ferido nesse ataque, quase morro é verdade. Quase não me recuperava, meu fiel escudeiro bem que tentou me ajudar, mas não teve jeito. Foram dias de dores, convalescimento, sem falar na frustração, dúvidas, tristeza e decepção. Eu era um guerreiro vencido, ferido e ainda tinha que ver meu “amigo”, agora meu algoz, fazendo parte da Resistência.
Depois de tanto tentar, passei a ignorar a Fortaleza. Quando vinha para os lados do Norte, para a labuta diária no comércio, negociar, já nem olhava para ela, dava uma volta de quase duas horas, pelo monte da árvore, para não ter que contemplá-la tão ostentosa. As forças de Resistência faziam a guarda e eu não podia nem me aproximar.
Assim, foram passando tardes, dias, meses, e nos comércios e nas feiras eu ouvia o murmurinho: prenderam mais um desses guerreiros que tentaram entrar na Fortaleza. São mercenários, que tentam invadir os muros para destruir e apoderarem-se da força de guerra da Fortaleza, diziam as falas dos feirantes, homens simples da região. Surpreendi-me com um que me disse: não há quem intente contra esta Fortaleza, jovem, e saia com vida.
Aquilo despertou o meu desejo de conquistá-la. O desejo que estava tentando adormecer. Voltei ao monte e passei novamente a observá-la, vigiá-la, nos finais de tarde logo após o trabalho, o cansaço por mais que fosse grande não me impedia de ir até aquele monte, sempre acompanhado de meu amigo, eu ia olhá-la, estudar e descobrir outra forma de invadi-la com as minhas pequenas forças.
Passados alguns dias, depois de muita vigia e observação, notei algumas falhas na força de Resistência da Fortaleza, aqui e acolá vejo que não é tudo o que dizem, deixa rastros de dúvidas e às vezes eu penso que ela é pretensiosa. Nem aparenta essa força toda, percebi que eles não maneiam bem as espadas, preferem a vigia, a precaução ao ataque em si. Pensei que isso pudesse ser medo, medo de que descubram que a Fortaleza não é tudo o que as bocas falam por aí.
Ao descobrir seu medo, encontrei sua fraqueza, encontrei mais uma porta, que nem sempre é vigiada, a Resistência não vai lá com freqüência, ouvi alguns guerreiros dizer. Talvez eu tente entrar por esta porta, lá pode se entrar sem ser percebido, é o meio que vejo, vou novamente me disfarçar, e vou pedir pra entrar, depois que tiver dentro pensarei no meu plano B, por enquanto vou tentar apenas entrar na Fortaleza. Quero conhecê-la por dentro, suas armas, embora já conheça algumas, tentarei desarmá-las, arrisco minha vida e a de meu fiel escudeiro nesta empreitada. No próximo encontro trago notícias do sucesso ou do insucesso dessa aventura.
Pausa para um momento de reflexão: Homens são obstinados quando querem algo, fazem de um tudo pra conseguir, mas o que me impressiona nas mulheres é que além de serem obstinadas nunca se dão por vencidas. Para o homem, depois de tentar tudo e não conseguir nada eles desistem e resolvem partir pra outra mesmo com um coração cheio de dúvidas. As mulheres não, só depois de se sentirem aclaradas de todas as suas dúvidas é que resolvem desistir... não, criar um “plano B”.
Trago notícias da última batalha, tentei mais uma vez conquistar a Fortaleza, foi novamente inútil. Caminhei a passos lentos, minha saúde já não era a mesma depois de tantos combates, carecia de forças, forças essas que não vinham. Passei algum tempo esperando o momento, algum sinal, mas não veio, realmente arrisquei muito vindo até aqui, pensei, e quase perco a vida de meu fiel escudeiro, uma irresponsabilidade minha.
O fato é que fui barrado logo na entrada, na verdade eu tinha quase certeza de que isso ocorreria mais uma vez, só fui lá pra conferir, inocente? Nem tanto. Não houve combate, sem armas, sem dor, sem sangue derramado, pelo contrário, foi calmo, nenhuma Resistência, apenas meu fiel amigo foi ferido, na verdade eu o feri, quase precisou sacrificá-lo, mas eu decidi salvá-lo por que ele é muito importante pra mim, ainda mais agora.
À noite, disfarçado, fui até a porta que mencionei, na qual a Resistência nem sempre vai, havia uma fresta por onde pude olhar como era a Fortaleza por dentro, sim, por dentro ela era muito bonita, tanto quanto por fora, olhei pra mim, guerreiro de tantas batalhas e vi que não merecia me apoderar daquele lugar, que com essas minhas idas e vindas dessa vida de aventuras aquele lugar, sob o meu poder, se tornaria vazio e triste. Eu não teria paz se a conquistasse, seriam muitas guerras contra todos que tentassem tirá-la de mim. Decidi está bem assim, decidi desistir.
Naquela noite de uma grande tempestade, de ventos fortes, que quase não cessava, sentei-me ao caminho e, enquanto as águas corriam e lavavam-me as pequenas feridas, pensei em como tudo isso começou. Comecei a sorrir, ali, no meio das águas que se misturavam com minhas lágrimas, sorri, pensei e avaliei que era despeito tolo o meu sorriso, mas passados alguns dias vi que era alívio.
Orgulho ferido, que guerreiro já não se sentiu assim antes? Trouxe meu amigo ao ombro e cuidei de suas chagas. Agora estamos prontos não para conquistar fortalezas, não, não, dessas não mais. Partiremos em uma longa viagem, nos anelaremos a alguns guerreiros que lutam por uma coisa chamada, como é mesmo o nome?
... coração.


domingo, 8 de junho de 2008

Começando a encerrar...

Eita que tristeza, mas tá passando, afinal falta pouco pra acabar, só mais uns vinte dias A distância ajuda. E eu penso em tanta coisa engraçada, de como tudo começou. Eu falava dele pras minhas amigas e todas diziam: Não querida, ele é só um menino. Quando não, ouvia: Ele é perigoso! Essa última me faz sorrir... realmente ele é perigoso O Amor gente, ele é perigoso. Faz umas vergonhas na gente, faz com que nos sintamos tão tolos, viajando em pensamentos... E numa dessas minhas viagens comecei novamente a escrever e saiu muita coisa, foi meio assim eu sei lá como. Algumas eu escrevi aqui e num momento de raiva apaguei... Falando ora desse amor, ora de mim. Todas as palavras feitas pro Amor, tudo o que eu quis falar. Escrevi frases soltas, apegadas, por cima uma da outra, enfim, do lado do nome do Amor Dessas vou terminar publicando aqui algumas, de uma só vez, pra encerrar essa fase do Amor. Encerrando porque assim o Amor escolheu, e eu aceitei. É pra exagerar mesmo, coisas de quem tá abobalhado, arreados os cinco pneus, traseiros, dianteiros e o step. vixi!!!! Ao Amor, esse menino arteiro que bagunça o coração da gente, que solta num sorriso cores de muitos sonhos, que de tão perigoso afasta até os mais ousados, que desperta versos esquecidos, empoeirados, guardados há tempos, que enfeita com flores caminhos diários, que nos faz, pro nada, sorrir, no ônibus, na topic... (rsrsrsrsrs) Já perdi o lirismo, mas quem liga? se é verdade mesmo!
Então,

Quero um amor
Quero um amor, mas deixe-me explicar como quero um amor
Não precisa ser algo grande assim
Quero um amor suave
Sim, sim, um amor suave
Não precisa me dizer delícias
Não precisa segurar meus livros
Ou ir até o ponto de ônibus comigo
Não precisa ligar todos os dias
Falando declarações tolas
Mas me falar de tudo
Do que eu quero e não quero ouvir
Quero um amor que conheça meus desejos meus sonhos, meus defeitos que dedique uma música pra mim e me eleja para ser sua musa
Quero um amor que basta ter certeza
Que seja calmo, suave
Sem muita ansiedade basta ter certeza
Não precisa grudar cartazes nas paredes do coração, mas pendurar nele uma placa, dizendo:este é seu lugar, é aqui que vais morar ____________________________________

Falta uma parte
E logo eu
Que sempre fui feita de retalhos, de pedaços emendados
Que nunca fui completa
Que nunca fui inteira
Falta algo, neste plano, em mim
Algo material, mas puro
Falta uma parte
Falta um complemento
Falta você.
__________________________________

Amanhã
Amanhã é tarde
Amanhã não terei tanta certeza
Amanhã é outra coisa
Amanhã é dúvida
Amanhã é cansaço
Sim, cansaço.
Amanhã é quase noite
E quando é noite não se vê
O que eu trago aqui dentro
E guardei só pra você
 ________________________________

As tardes
As tardes eram as minhas preferidas
As mais esperadas
As mais aplaudidas
As tardes traziam-me esperanças
Levavam-me alegrias
Deixaram-me lembranças
Naquelas tardes
Os amantes se encontravam
E em olhares se abraçavam
Naquelas tardes,
Que eram mais dia
Que eram mais sol
Que resta a partida
E alguém que ficou só
 _________________________________

Olha que pro coração tem jeito!
Se ele bate muito apertado
Se ele bate muito ligeiro
Se ele bate bem compassado
Se ele parece um pouco arteiro
Se ele pensa em até parar
Se ele pensa estar cansado
Se ele pensa em desanimar
Se ele parece que é desprezado
Só tem um jeito pro coração:
Continuar... forte a bater
Ou decidir então parar
Parar... e então morrer...
 __________________________________

Tudo no –inho
 É um rapazinho
Que quando entardece
Na rua vejo passar
Nele é tudo inho
Magrinho, branquinho
Ele tem um andarzinho
de quem não tem com o quê se preocupar
De vez em quando
Vem aqui
Nessa porta
E me rouba algo
Ás vezes um pensamento
Outras, uma palavra
Ás vezes um olhar
Outras, um sorriso
Acabo cobrando-lhe por isso
Tenho medo de empobrecer
Por tanto que me roubastes
Meu pobre garotinho
Tão rico tu ficastes
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Mundos diferentes
Separados por tantos quilômetros
Tantos telhados, muros, luzes... que passam, passam
São tão rápidas
E eu me escondo da dor que é ver e não ter
Meu medo aumenta
O tempo chega, ele é cruel, eu já falei.
E vai passando, nos separando
São sábados e domingos
Feriados, nunca pensei que pudesse não desejá-los
E passam, passam
Dias e dias, e eu penso que é o fim
E passam, passam, vai saber
Coisas que só o coração pode entender
Quero entender, mas não consigo
São palavras e gestos difíceis pra mim
Espero um pouco e não desligo
Coração me diz pra ser assim
Ainda penso que podiam ser pra mim
Todas as frases ditas na agonia
Todos os versos de alegria
Sim, podiam ser meus
Mas que pretensão, não é assim querida!
Não existe só uma Maria no mundo...
Nesse mundão que gira o tempo todo, o dia todo, a noite inteira
e que faz a gente se esbarrar
Nas esquinas, nas portas, nas mesas de cantina, ou em qualquer lugar (isso parece uma música que eu conheço)
Eu vejo que tudo vai se esvaindo, esmaecido no ar
Seu sorriso, meu sorriso
Já não buscam a mesma direção,
Seu olhar agora está na contramão. __________________________________

Nossa! quanto orgulho
Ontem umas palavras
Hoje já muda tudo
Desculpo seu egoísmo
Mais ainda sua indecisão
Desculpo seu medo
Suas dúvidas
Minha ilusão
Se queres a certeza
Agora me tens na mão
Compreenda minha fraqueza
Entenda meu coração
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Eu entendi
Meu bem, eu sempre entendo
E te deixo ir
Te dou alforria
Não tenhas medo
Só não te entregues tanto
tenha-me como exemplo, por um pouco só de entrega
olha só o que ganhei, ou melhor, perdi
Vá e encontrarás alguém
Que realmente te mereça
Alguém que... (deixe-me dizer) seja perfeita
Em meio a muitas dores você foi a alegreia
Em meio a feridas tão doloridas bastava você aparecer no meu dia
Se passar por mim, sorria
Se quiser, até fale também
Quem aprende a chora desde cedo com as dores
não sabe o que é guardar rancores
Só me deixe retirar os versos
que aqui já não fazem tanto sentido
Pra mim também chega,
eu quero sossego
Até breve, meu amigo
 _______________________________

Voltaremos sem data marcada
Alguém já me falou
Em alguma página
Em alguma história
Em algum poema de amor

sábado, 7 de junho de 2008

Eu encontrei você

Desde o Primeiro Dia
Desde o primeiro dia em que te vi
Eu te segui com o olhar
Fui atrás dos seus passos
Do seu rastro no ar
Vasculhar seu amor
No que eu pudesse achar
Nas cartas pelo chão
Retratos no mural
Pedaços de canções pra mim
Desde o primeiro dia em que te vi
Eu conheci o amor
Mais real, mais bonito
Que eu podia inventar
Como um cais pra nós dois
Sabia até cantar
As frases que depois
Você iria usar
Os beijos que eu não posso mais
Viver sem encontrar
Sem te contar
No tempo que eu levei
Pra te achar
Hoje acordei com frio
Hoje, meu amor
O quarto está vazio
Desde o primeiro dia em que te vi
Eu te perdi sem saber
Te esqueci escondido
Congelado em mim
Flor no vaso a morrer
Mas eu não vou chorar
Eu busco o eterno sim
Até onde não há
No ar o nosso amor em vão
Que eu amo até o fim
Até virar a nota da canção
Ilusão
Maria Rita Composição: Chico Pinheiro e Guile Wisnik