terça-feira, 21 de abril de 2009

Sonho = Futuro, e o futuro como será?

Passadas as primeiras e últimas coisas, estamos aqui, vencendo as batalhas, as lutas internas, as externas e até as alheias, lutando batalhas que não são nossas até, mas vencendo sempre, sempre. Não há motivos pra não ser assim.
Essa semana eu e July Paiva estivemos discutindo o futuro, o que será de nós daqui a uns dez, vinte anos, vai saber? Eu não procuro pensar muito nisso agora não, nesse momento eu penso em muita coisa, mas principalmente na bendita monografia, nesse segundo capítulo que teima em não querer sair, nele eu falo de educação, e educação é deeeeeeeessssse tamanho, mas eu gosto.
E o futuro? bom, o que vou fazer depois que sair ali naquela Treze de Maio com aquele papelzinho balançando na mão dia 10 de julho, se bem que a gente nem recebe o diploma no dia da colação mesmo, demooooora o negócio.
E aí hein? Estudar pra concurso, e enquanto o concurso não vir? Eu faço o quê? Tento investir na área e arrisco um mestrado fora, em Minas, pra ser mais precisa? Ou uma outra faculdade? Ciências Políticas, ou tento novamente pra Jornalismo? Bom, uma certeza eu tenho, parar de estudar jamais. Eu acho que vou viver disso, de estudar, é que é tão bom, vicia, acho que vou viver disso e morrer disso, de estudar. Eu queria era ter mais tempo ($) rsrsrs
Bom, voltando a minha conversa com Ju, aconselhei minha amiga a fazer Psicologia, ela disse que sempre gostou da idéia, aí eu disse: invista. Realmente ela tem vocação, só em me ouvir, ouvir minhas besteiras pacientemente, e eu sei o quanto minhas besteiras violentam o Ser dela, mas ela ouve, e a gente acha que psicólogo tem que ouvir mesmo tudo calado né? não sei, só sei que Ju é assim e eu dou o maior gás pra que ela tenha estabilidade para investir nesse sonho.
E sonho hein? Sonho = Futuro, e eu tenho tantos que tenho até medo deles. É muita coisa nessa minha cacholinha, mas agora eles estão dando um tempo, procuro não pensar muito neles agora não, só tenho que ter cuidado para não esquecê-los. Eles foram adiados por um instante, pra que o presente pudesse encontrar espaço, só por isso, mas vou voltar a investir neles, semestre que vem começo um desses investimentos, que só darão renda pro meu prazer, vou aprender a tocar um instrumento, se Deus assim permitir, ainda não sei em que horário, mas eu sempre dou um jeito né mermo?! Eu sempre tento, eu sei que dá, eu sempre chego, dá tempo eu sei, e não desisto (exceto quando me faz mal ou faz mal a alguém).
Quanto ao resto fica aqui na minha mente, como eu disse meus sonhos dão medo, e não quero assustar ninguém agora. Só peço a Deus que permita o tempo certo pra que todos eles se realizem, que eu saiba esperar, que eu tenha sensibilidade para percebê-los, pra que as pessoas certas possam protagonizá-los, e pra que em nenhum momento a dúvida me impeça de arriscar, porque dúvida é medo e medo eu não conheço faz tempo.
Agora?
Agora eu quero andar de mãos dadas
com "o que seja o que Deus quiser"
Agora eu vou viver pela fé
o mal, eu vou deixar passar
o bem desejado, esse eu deixo ficar
E a solidão, minha companheira
Ah, qualquer dia lhe dou uma rasteira
Deixo ela em qualquer esquina por aí
pra vê se ela aprende, a infeliz.
"Essa Tal Felicidade Tim Maia
Já rodei todo esse mundo procurando encontrar
Um amor, um bem profundo que eu pudesse realizar
Os meus sonhos de criança, como todo mundo faz
De formar uma família como era dos meus pais
Mas o tempo foi passando e a coisa mudou
Solidão foi se chegando e se acostumou
Essa tal felicidade, hei de encontrar
Mesmo se eu tiver que aguardar, se eu tiver que esperar
De uma coisa eu não desisto, sou fiel não abro mão
De ter filhos, ter amigos, companheira e irmãos
Se essa vida é bonita, ela é feita pra sonhar
Mais aumento o meu desejo de afinal te encontrar
Mas o que eu não me acostumo é com a solidão
Um pedaço do seu beijo ou seu coração
Isso já me fortalece me faz delirar"

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Essa tá aqui faz tempo

Preciso de uma página em branco, preciso passar a limpo tanta coisa. Preciso de uma página em branco pra arremessar as idéias que ficam em redemoinhos na minha cabeça. Preciso de tempo, o tempo que foi me dado é muito curto, e até agora só serviu pra me preocupar com nada mais que meu próprio umbigo, e me enrolar com meus próprios engodos. Preciso de uma tarde, de uma semana toda, de um mês inteiro. O meu desejo agora era um mês inteiro, pra fazer tudo do meu jeito, como eu quero. Preciso parar um pouco ou pararei definitivamente, preciso fazer coisas há tempos planejadas, preciso estar só, preciso estar também acompanhada, preciso de tanto e sei que não preciso de nada. Tudo o que eu preciso está realmente ao meu alcance, mas eu preciso. Eu preciso mudar, eu preciso quando quiser arriscar, eu preciso decidir, ir e tentar. Preciso pôr meus sonhos no lugar, voltar a contemplá-los na minha frente e não mais de lado. Eu preciso disso, é sério. Eu preciso de um tempo pra mim, de um tempo pra tudo. Sabe, preciso de tempo pra muita coisa, pra reparar mais nas pessoas, para amar quem está ao meu redor, para dá-los mais atenção, tempo pra conhecer as coisas que eu não sei, tempo pra escrever, tempo pra chorar por mágoas que podem contaminar meu amor, se não expurgá-las agora, preciso conversar, dialogar mais com Deus, com meus amigos há tempos esquecidos, dialogar com minha alma que anda tão maltratada, a coitada, ultimamente só apanha. 
Ah alma, tão miúda e medíocre  
Alma minha ferida, e entediada nesses últimos dias 
Alma cansada, que faz ainda mais sisuda a minha tez 
E que de vez, tenta me controlar 
Basta para ti alma, faz-me aquietar 
Alma que procura onde não há 
Sinais de coragem pra continuar 
Ah alma minha que subversiva outrora 
Agora se vê covarde, conformada 
Vem debaixo de açoites me subjugar 
Apanha alma e te faz forte, apanha negra alma e te faz alva, e te torna em sangue e dor como a morte e não questiona quando fores aviltada, mas teme e segue em frente 
Pois aquele que fere não entende 
Nem aquele que passa no caminho de largo 
Mas aquele que cura as feridas, esse ama de verdade. 
Inspiração: 
"ESCUTA, ALMA QUERIDA! 
Se alguém te apedrejou o coração, 
Não plantes ódio na alma contundida, 
Nem pranteies em vão... 
Sustenta, no caminho da esperança, 
O perdão por dever, 
Não te dês à vingança 
Esse alguém vai viver. 
Dá sublimado amor que o mundo não descreve,
E, se alguém te despreza com mentiras, 
Não repliques, de leve, 
Nem lamentos profiras; 
Segue à frente, na paz em que te escondas, 
Abraçando a humildade por prazer. 
Por maior seja o insulto, não respondas  
Esse alguém vai viver. 
Seja onde for, se alguém te suplicia, 
Sob golpes brutais, 
Não reclames, não percas a alegria,
Nem te azedes jamais!
Acende a fé no peito sofredor
E procura esquecer.
Infeliz de quem ri na capa de agressor!
Esse alguém vai viver.
Escuta, alma querida!
Quem ofende ou se põe a revidar
Atira fogo e lama à própria vida,
Compra fel e pesar.
Cultiva a compaixão serena e boa,
Envolve todo o mal em bem-querer.
Ai daquele que fere ou que atraiçoa!
...Esse alguém vai viver!!!"
(Chico Xavier)
Eu preciso só parar um pouco, é só isso. “Eu sou um ser humano, se me bater eu sangro” Peter Parker (Homem Aranha)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Voltando




Como disse estou voltando a escrever por aqui, depois de muitas águas passadas, depois de muito tempo sem tempo, depois de muito cansada. Pretendia voltar no dia do aniversário do meu blog, domingo, mas a febre não deixou, essa virose que ataca todo mundo me atacou também, e febre, frio e chuva não combinam bem, e se combinar vira pneumonia. Ando meio longe daquilo que se parece normal, esse ano se mostrou até legal no começo, mas agora já tá embolando o meio de campo, e é sempre assim, quando as coisas não dão certo as outras vão atrás, são coisas invejosas, que querem imitar as outras. Por vezes tive vontade de vir aqui e escrever, mas não deu, falta de tempo, de inspiração, de coragem, e por aí vai. Mas agora eu tô de volta porque meu blog tava largado e quem dera eu tivesse tempo pra cuidar dele e deixá-lo todo bonitinho igual a muitos que eu vi por aí, mas qualquer dia eu enfeito esse negócio aqui. Nesse tempo longe eu vi muita coisa, e quando achava que já tinha visto tudo constatei que não tinha visto nada ainda. Aprendi muito, e é assim, me ensina vida que eu to aqui pra aprender, sou do bem, pago pra vê. Vi que a mentira e o pensar em si mesmo são irmãos, não são gêmeos, mas são filhos do mesmo pai, vi que as pessoas estão em busca de qualquer coisa menos de tranqüilidade, vi que mentir com palavras dói menos do que com atitudes, vi que realmente mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira assim como fala na música, e que aquilo que o nosso coração desconfia ser, na maioria das vezes é, a gente é que não quer reconhecer, e aquela história do “não importa o quanto você se importa, algumas pessoas simplesmente não se importam”, isso é uma máxima. Vi isso e muito mais, reconheci alguns erros, descobri tanta coisa, é e Deus sabe, eu não procuro não, as coisas vêm até mim, eu não tenho culpa, se as verdades se desnudam quando me vêem passar, parece que pra zombar de mim até, mas chegam no tempo certo, as verdades acenam pra mim do alto da torre e gritam: olha! lá vai ela, lá vai ela! Foi sempre assim, o ofendido sempre é o último a saber, mas no final ele sempre acaba sabendo, e isso não só é máxima, como é bíblico. E o que eu devo pensar agora, o que eu devo fazer? Vou fazer um poema besta
 
Poema da constatação da incerteza 
Senti vontade de voltar antes
De olhar na janela e vê se o tempo ainda tava nublado lá fora 
E se tudo o que eu acreditava ainda existia pra mim 
Lá fora a música ainda tocava 
E eu a seguia em cada esquina 
A cada verso trocava de rua, procurava, corria 
Meus passos que nunca foram meus 
Andam sozinhos agora, 
Por si traçam caminhos em busca daquilo que sempre quis. 
E o que eu sempre quis? 
Onde meus pés chegarão? 
Depois de tanto correr 
Ao cruzar a próxima avenida eles me dirão 
As mesmas ruas, as mesmas casas, 
Eu já sei até a direção 
E as minhas asas que nunca mais se abriram 
Para onde me levarão? 
Se ousar erguê-las, se fechar bem meus olhos 
Se me lançar? 
E meus sonhos, agora guardados, quem vai neles apostar? 
E meu sorriso, espontâneo e sem culpa 
Indagava sofrimento a quem tinha dor 
Agora, relaxado, justifica-se com todos, sou obrigada a justificar-me aqui? E meu olhar que sempre planou no ar, 
sem medo de sonhar, de pensar, de imaginar, de construir, 
agora espera, pára e contempla, antes de seguir 
E onde eu vou chegar? 
E como vai ser, 
e que música vai tocar? 
E quanto tempo eu vou ter que esperar 
Pacientemente, mais uma chuva passar?

domingo, 22 de março de 2009

Porque eu tô voltando

"Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando"
Voltando a escrever novamente por aqui só pra não perder o costume desse negócio legal que é o blog. Fofoqueiro, mas legal. E por falar em fofoca tenho uma das grandes, é que agora eu tenho um novo blog em parceria com minha amiga e irmã Aline, menina que eu tanto amo, bibliotecária que eu tanto admiro. É o AD LIBRIS, blog criado em homenagem a turma do curso de Biblioteconomia 2008.2(UFC), minha turminha que levarei pra sempre em meu coração. Bom, quem por algum acidente de percurso vier por aqui e desejar visitar ou contribuir, fique a vontade, não é a Crasa, mas é casa de amigos.
Um cheiro no coração.
*Composição: Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós

domingo, 30 de novembro de 2008

Fechando pra balanço

Por muito tempo da minha vida não dei espaço pro coração, na verdade acho que nunca dei espaço realmente pra ele, por muito tempo fui “Paula”, até ganhei esse apelido de uma amiga de confissão, não porque achasse que não precisava de ninguém pro coração, mas porque nunca tive paciência, nunca tive sorte pra isso. Não entendia como as pessoas eram tão dependentes de outras, como mudavam o curso da vida por gostar, por querer bem, como usavam manias, trejeitos do outro, como mudavam o comportamento, não saiam, davam satisfação pra tudo, isso não combinava comigo, que sempre dei satisfação por opção. Isso foi assim até o dia em que me apaixonei. “Meu Deus, é de verdade, é um milagre!” foi o que ouvi da amiga de confissão. Mas como disse, nunca tive sorte pra essas coisas, fui ter logo uma paixão platônica, dessas bem loucas, sem explicação, dessas que não controla os impulsos, mas que ao mesmo tempo morre de vergonha, de medo idiota, que cada vez que vê a pessoa amada sente fios elétricos passando pelo corpo inteiro, dando descargas de uns dez mil volts, num músculo tão frágil que é o coração. Pronto o negócio tava feito, tinha uma paixão impossível agora, pior que isso só um fora, e foi o que aconteceu, o fora veio,vários deles. Eu não disse que não tinha sorte? Pois é, e ainda tive que vê-lo depois disso, legal né? É, né legal não. É ruim, ruim mesmo. Daí eu resolvi desistir de investir nisso tudo, porque só devemos desistir do que faz mal a alguém ou a nós mesmos, e tudo isso estava/está me fazendo mal, e essa não é a intenção, não quero que nada disso se mostre feio, triste, ou ruim. Sabe, e eu sou uma pessoa até legalzinha e tenho certeza que tenho o direito de ser feliz, direito não, obrigação. Todos nós temos. Obrigação de se sentir bem, de se sentir seguro, de poder dar carinho e receber em troca, isso sem culpa, sem medo, sabe, andar de mãos dadas na praia, sentar pra conversar e esquecer a hora, conversar até tarde no telefone, rir, brigar, chorar, esse monte de coisa aí, que vivem as pessoas que encontram outras bem legais e resolvem apostar. E já que não deu certo, eu tô fechando meu coração pra balanço. Final de ano um balanço é necessário, pra um ano novo, que vai nascer bem melhor, eu creio assim. Vou fazer um balanço de tudo. Depois do balanço aí eu vejo o que lucrei, o que perdi, ver o que realmente é melhor pra cada um. Isso até pode parecer comum a quem, por alguma conspiração do Universo, chegar a ler isso aqui, afinal esse tipo de história é comum a muita gente, mais do que se possa imaginar, é sério, descobri isso ao ler o blog do Fernando Carrara, lá ele fala de amores impossíveis e aconselha quem passa por um. http://fernandocarrara.blogspot.com/2008/10/amores-impossveis.html

domingo, 23 de novembro de 2008

A dura missão de ser peixe

Ele passou por ela com uma vara de pescar, um balde e a tenacidade de menino. Sua determinação com os passos rumo à lagoa era tamanha que a fez perguntar: - Filho, vai pra onde? - Vou pescar mãe, vou pescar uns peixes pra colocar no aquário da nossa sala. - Esses peixes aí não servem não. Pra colocar no aquário tem que ser peixe bonito, desses artesanais, coloridos. Assim não serve não. - Mas, ah mãe! Eu vou pescar e se eu não gostar do peixe eu devolvo ele pra água. Assim ele foi, seguindo sua vontade de se tornar um verdadeiro pescador. Sentou-se à beira da lagoa, e pôs seus dois pezinhos brancos e gordos na água e ficou a firulá-los, debatendo-os como se fossem a isca, que mais a frente dançava, embalada pela pequena corrente que se fazia na água. De repente, algo começa a mexer na vara de pescar do aprendiz, “fisgou é bem certo”, pensou ele, e começou a puxar, era um peixe, não era lá essas coisas, mas era seu primeiro peixe fisgado assim, sem a ajuda de um adulto, sem a ajuda do avô ou do pai. Tirou o peixe do anzol, olhou-o, fitou suas barbatanas, estavam feridas, era pequeno, sem graça, talvez fosse um peixe meio velho, mas era seu peixe e isso o empolgava, de tal forma que pensou duas vezes em devolvê-lo pra água, queria mesmo era ficar com o peixe, e até quem sabe colocá-lo no aquário da sala. Mas acabou cedendo ao refugar do pequeno animal e colocou-o novamente na água. O arrependimento veio em seguida, queria o peixe, queria seu peixe, aquele que tinha conseguido pescar sozinho. Então começou a pensar consigo, “quem sabe se eu jogar a isca novamente ele volte, afinal viu que não queria lhe fazer nenhum mal”, e não pensou duas vezes jogou a isca e, novamente, o mesmo peixe a fisgou, não se sabe qual o problema do peixinho, talvez tivesse sido fome demais, ou terá visto mesmo o peixinho que não havia mal nenhum nas mãos gordinhas do garotinho? Sabe-se lá, vai entender juízo de peixe (será que eles têm?). Isso não vem ao caso, o certo é que o garoto não podia acreditar no que estava em suas mãos, o mesmo peixe, ele o reconheceu pelas feridas, pelos detalhes que tanto lhe impressionou da primeira vez. E gritou: - Mãe, Mãe, eu peguei duas vezes o mesmo peixe, acredita? Como eu consegui? - Deixa de judiar do bichinho filho, devolve pra água. E vem pra dentro que já está na hora do almoço. Mas ele não deu ouvidos à voz da mãe, ficou lá, pegando no peixinho e olhando, depois colocando no balde de água fria, ora nas mãos gordinhas e quentes, ora no balde. Até que o peixinho não agüentou e morreu. Quando ele percebeu que o pequeno animal havia partido dessa para a melhor, olhou fez um bico e meneou a cabeça, e pensou “era só um peixe”. A mãe veio chamá-lo para o almoço, quando viu o peixinho morto em suas mãos: - Filho, o que foi que a mamãe disse sobre os peixinhos daqui, que não dava pra pô-los no aquário, que não são peixes de enfeite, que não são peixes que vivam presos a vida inteira num aquário? Não foi? Aí ó matou o bichinho. - Mas mãe, não era minha intenção, eu pensava que ele conseguia viver fora da água só um pouquinho. Era meu peixinho. Por um instante foi. - Agora é tarde, ele morreu, não se brinca assim com os seres da natureza filho, vamos almoçar. - Mãe, o que vamos comer no almoço hoje? - Peixe!

E peixe corre? Eu até já imaginava, que se mordesse a isca novamente morreria Que se voltasse de onde estava, não agüentaria E pararia novamente Eu até imaginava, que se fechasse os olhos e corresse Pos mais velozes que meus passos fossem não alcançariam E pararia novamente Eu até imaginava que a chance era jogada, que de nada valia arriscada A isca era perigo iminente Eu até imaginava, que não importava a maneira De que forma me entregasse era só esperar para ver E por já saber o final, e por ser tão difícil entender Deixe-me no meu pequeno lago, que de mar bravio eu tenho medo, Não tenho espírito de Nemo, ninguém me disse pra saber Aqui eu sou feliz, longe dos grandes animais marinhos, Uma anêmona de saudade, um polvo de desejo, um tubarão de ciúmes, Me deixe longe desse mar, porque sou peixe de água doce, Um tambaqui, um pirarucu, não, não, esses são grandes E eu sou peixinho, que nadava feliz até me levarem pro mar "salgado" da paixão.

domingo, 2 de novembro de 2008

Desabafo

Muito de mim é cansaço agora. Muito não, tudo em mim. Mas é cansaço físico mesmo, desses de derrubar a muralha que às vezes a gente acha que é. E quando chega a noite você vê que ainda não acabou, que ainda tem mais uma luta pra vencer, aquela com a sua mente, embora o seu corpo diga que já terminou o expediente, ela ainda está a 300 por hora, e aí começa a mais difícil batalha, você contra você mesmo, você contra as contas do final do mês, você contra aquele problema do trabalho quase impossível de se resolver, e é a sua cabeça que vai rolar, você contra... . Quando enfim você consegue dormir, nem sentiu, os passarinhos já começam a cantar, sim porque aqui eu ainda tenho a dádiva de me acordar ao som dos pássaros, e, com este meu celular ancestral e ultimamente sem som, acaba sendo os pássaros quem me acordam mesmo. Aí o dia exige de você o que você não entrou em acordo no dia anterior. Você pensa em chutar o pau da barraca, mas aí lembra que não tem barraca armada ainda, e sai procurando o que chutar. A raiva aumenta, as pessoas nem percebem, por muito tempo isso me perturbava, agora já não mais. Tudo dá errado -isso é comum a todos- você se conforta. A impressão é que ninguém valoriza o seu trabalho, em casa tem até quem pergunte pra onde você vai, aí você conta até 10 e diz vou pro terceiro expediente, aliviada por ter quem se preocupe com você, mesmo sem ter a mínima idéia do tamanho do pau que você tem que dar em doido, sem nenhuma apologia a violência, isso é só força de expressão. E a força, ela, parece acabar, quando passo pelo ônibus que me levaria pra casa, se pra lá eu fosse, e ainda dá tempo de ver do outro ônibus o motorista da minha linha conferindo os pneus e dando a partida, ô vontade de ir pra casa, fico pensando, mas ainda é o começo. E depois de tanto dizer: vai dar certo, pode, pode sim, tá certo, onde eu assino, você assina aqui, pode deixar, eu faço sim... vai crescendo uma vontade de ser indiferente, esquecer as promessas, e ser igual ao estereótipo, e você acaba pensando que essa história de fazer a diferença é a maior babaquice, ninguém liga mesmo, no final do mês o seu salário ainda vai dar dó até no terceirizado, que, em alguns casos, sem nenhum compromisso, espera apenas por seu vereador. Até que no ápice da sua raiva, no altar de imolação, o balcão, chega aquele rostinho redondo, e com aqueles olhinhos por trás dos óculos me olha e diz: - Tia, tá aqui o papel ó – e puxa um papelzinho todo amarrotado e sujo de dentro do bolso, e continua: - Tá sujo assim, porque eu derrubei no suco. Então você, do alto do seu egoísmo sustentado pela dor nas costas mais violenta de todos os tempos, desaba, recebe o papel e guarda, porque sabe que nasceu pra compreender, mesmo sabendo que receber o papel depois de uma semana do final do prazo já não fará tanta diferença assim. Mas o importante é que ele trouxe, ele acreditou no que eu faço, e a partir dali foi-se embora todo o meu cansaço, e a menina do balcão voltou a sorrir.




































Esse texto, mesmo sem ter quem o leia, iria ao ar na semana passada, mas por um bom motivo não foi. Ele não quer dizer nada a ninguém, apenas me deu vontade de publicá-lo por aqui porque conseguiu representar o meu cansaço dos últimos dias e uma experiência que tive no trabalho na quinta-feira.

E, como não poderia deixar de faltar, mais uns desses meus versos sem graça:




































Eu nunca mais tive tempo
de sentar na calçada
de assistir novela
de fofocar de madrugada
de falar de uma paixão




Eu nunca mais tive tempo
de arrumar a casa
meus livros, meus papéis de carta
de ouvir música sentada
olhando pro teto da casa




Porque eu conto as vezes
que posso sentar
os quilômetros que andei
os minutos que perdi
e o dinheiro que gastei.