quinta-feira, 21 de maio de 2009

A razão das últimas coisas...*

Final de expediente duma tarde que parecia comum, só parecia, arrumei a mesa na qual trabalho, coloquei os papéis na pasta, arrumei a bolsa e saí, havia algo que perturbava minha mente nos últimos dias e saí mais cedo, precisava passar no shopping ainda. Peguei um caminho diferente, precisava de tempo para pensar, pôr as idéias no lugar, entender o medo que me afligia. Passando por uma parada de ônibus me surge um vulto feminino, era Luciana, olhei bem pra confirmar, era ela sim e corri para abraçá-la.

- Luciana!

- Carolina, amiga há quanto tempo!

Não nos víamos desde a última vez que fui a sua casa para fazer um trabalho de um curso de informática que fazíamos juntas, e isso há muito tempo. Luciana era uma amiga que mesmo longe era muito querida, tinha por ela imenso carinho e consideração. Vê-la ali me era surpreso, porém a alegria de reencontrá-la dissipou qualquer indagação. Ela me abraçou e começamos um pequeno diálogo que se mostraria revelador:
- Carol, você está bem, tá trabalhando?

- Naquela loucura de sempre amiga, mas me conta você, como anda, tá trabalhando?

- Não Carol, ainda tô sem trabalho, anda difícil demais, mas to estudando, fazendo faculdade... Amiga, conheci uma pessoa, é um cara legal, carinhoso, atencioso, só que também é muito ocupado, mora num bairro aqui perto, Jardim Arrebol, e deve tá chegando aqui pra me pegar, vamos ao show do Djavan hoje.

- Luciana, que bom, fico feliz por você, ah meu namorado também mora no Arrebol, engraçado, devem se conhecer, você tem sorte, acho que meu namorado nunca me levou no show do Djavan, nem de ninguém, rsrsrsrs. E o que ele faz?

- Ô amiga fica assim não um dia ele te chama, homem é assim mesmo, mas ó meu namorado é jogador de futebol, não é conhecido não mas tá batalhando aí.

Naquele instante um fogo começou a subir pelo meu corpo, minhas orelhas deviam estar vermelhas, o calor que saia do meu hálito não era normal, comecei a tremer e antes que ela falasse mais alguma coisa tratei de despedir-me, ela ainda insistiu num “ô fica aqui pra você conhecê-lo”

_ Lu, tenho que ir ainda vou no shopping, é sério tenho que ir.

O celular dela tocou, era ele, o namorado, dizendo que já tava chegando, naquele instante meu coração acelerou ainda mais, precisava sair dali o quanto antes, e saí. Fui andando meio atordoada com a história, com os pensamentos que durante o mês inteiro me conturbava o senso, parecia até que o tempo havia parado, será?, aquelas palavras “jogador de futebol”, “morador do Arrebol” remoendo na minha mente, até que achei um banco de praça, sentei e liguei pro celular do Marcelo. “Esse telefone encontra-se desligado ou fora da área de cobertura”, a mensagem insistia cada vez que eu tentava, e mais ainda aumentava minha agonia.

Conheci Marcelo há três anos, desde os tempos em que ele jogava nas categorias de base de um time local, sub-dezoito, numa partida que fui assistir, despretensiosamente, arrisquei uma conversa e começamos um relacionamento. Um namoro meio estranho, cheio de idas e vindas. Ele dizia que gostava de mim, e eu que o amava, mas dos dois não havia entrega, essa é que é a verdade. Nesse último ano ele começou a jogar profissional, e o meu trabalho consumia mais que meu tempo, consumia minha vida inteira, assim o namoro foi esfriando, até que nesse fim de ano ele me disse que iria viajar pro Sudeste pra tentar um contrato fora. No começo a idéia me pareceu ótima, mas o comportamento dele começou a me parecer estranho. Mulher é assim, esse negocio de sexto sentido tem sentido, e não é só mãe que tem não, toda mulher tem. Bom, passados alguns dias a frieza de Marcelo me importunava e me fazia desconfiar de suas ausências, de sua falta de cuidado comigo. Fui à casa de Luciana, tinha medo de descobrir alguma coisa, ela não sabia da existência de Marcelo, que ele era meu namorado, nem ele sabia que ela era minha amiga, nunca toquei em seu nome pra ele. Ao chegar lá ela me recebeu como sempre, alegre e espontânea, minha amiga jamais me enganaria, me levou até seu quarto e mostrou-me a mala em cima da cama, com algumas roupas dobradas e algumas por arrumar.

- Muita bagunça, vai viajar? -Ela se arrumava para um banho, enquanto eu recolhia algumas peças de roupa pelo chão.

- Vou amiga, to indo pra Salvador, com meu amor. -Ela entrou no banheiro e eu, caí sentada na cama. Do banheiro, sua voz confundindo-se com o barulho do chuveiro tentava me falar “vamos viajar juntos, ele vai pra um teste num time baiano”

Minhas lágrimas já molhavam as etiquetas das roupas novas compradas para a viagem, quando avistei as cartas, juntas, num cantinho da escrivaninha, nunca mexi nas coisas de minhas amigas, muito menos nas de Luciana, mas reconheci a letra, era a letra de Marcelo, nervosamente comecei a lê-las, uma a uma, só parando com o grito de Luciana “olha as cartas que ele escreve pra mim, ta aí em cima” A esta altura eu já estava na porta de saída do apartamento de minha amiga, em direção ao elevador, não encontrei acesso, corri às escadas, desci rapidamente, com uma confusão na mente, meio atordoada saí à rua, o dia era claro, o sol ofuscava minha visão e eu não enxergava mais nada, procurei sentar-me no meio fio, respirei, peguei o celular e liguei pra D. Ana, mãe de Marcelo

- D. Ana, é Carolina, D. Ana, Marcelo vai viajar pra onde?

- Minha filha, ele não disse, ele é assim, inventa essas coisas e nem diz pra gente.

D. Ana era uma mulher muito boa, gostava de mim, mesmo eu não sendo a namorada ideal pra seu filho, sempre me tratou bem, sem muitos afetos ou paparicagens, fazia-me ouvinte de suas histórias em sua cozinha e eu realmente gostava de ouvi-la.

- D. Ana seu filho tá me traindo.

Ela lamentou e pediu desculpas por ele, mais tarde o telefone tocou, era Luciana preocupada comigo, eu lhe expliquei a situação, ela se desculpou, não viajou mais com Marcelo, mas soube que ainda ficam juntos, vezes por aí. Ainda tenho a amizade de D. Ana. Quanto a Marcelo...
Ele jamais havia me levado a um show do Djavan, ou de quem quer que fosse, nunca me chamou pra viajar, nem pra ir ali, na esquina tomar um guaraná nunca, nunquinha, sempre me negou um pedacinho de sua atenção, um cantinho do seu olhar, e eu mendiguei por tantas vezes... Eu tenho um pedaço de carne batendo aqui ainda, sabia? E por tantas vezes eu dizia, cantando,
aquela velha música do Leoni: Por que não eu? ah, por que não eu? Não era difícil entender, enquanto eu cantava Em outros braços ele zombava Me expôs, me revelou, me maltratou E eu sustentei o não-merecer como resposta até o último dia Até me convencer que realmente não o merecia Por instante que fosse, eu não o merecia Deixa que eu era boba, tola, infeliz E ainda por cima burra não é assim? Mas deixa que alguém me disse Enxugue o rosto menina que lágrima não enfeita não E há de encontrar alguém que te queira bem Que passará a mão na tua cintura E com orgulho caminhará contigo na rua E quando a preocupação chegar o primeiro nome lembrado será o teu e o telefone então vai tocar e foi assim que aconteceu.
* Essa história é puramente fictícia, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

E minha conversa com Ju continuou...

E minha conversa com July Paiva não terminou só em futuro não, discutimos sobre muita coisa e no final veio aquele assunto de sucesso, principalmente no imaginário feminino, assunto que vende milhões de discos e livros, que movimenta mercados e milhões de cifras no mundo inteiro, que por ele se mata e até morre, adivinhem? é, é o amor.
E July me disse: como é que tem gente que vive com quem não ama? Que passa a vida inteira do lado de quem não ama de verdade? E eu completei –casa, tem filhos, constrói família, empresas, sociedades, sonhos, com quem não ama de verdade, isso acontece nas melhores famílias moça. Aí Ju interrompeu –Deus me livre de ser assim comigo mulher, se eu tiver de casar que eu case apaixonada.
É meu querido, tem gente que vive com uma pessoa a vida inteira, carregando outra no pensamento, e mulher adora fazer isso, faz isso como ninguém, como já dizia Zé Ramalho, “quantos segredos traz o coração de uma mulher”, aí eu lembrei das palavras da sábia Jô Benício sempre justificando a classe: “por isso ao homem ficou o mandamento mais difícil, pois a mulher para amar Rafa, basta ser amada”.
Josélia vive tentando me convencer que tem fórmula pro amor, que quem escolhe é o homem, que relacionamentos só dão certo quando o homem ama mais, que paixão é ruim e que nunca vem antes das duas metades se conhecerem de verdade, que mulher ama demais, e esse monte de coisa, que eu nunca concordo muito, mas escuto. Escuto e retruco, pois pra mim o amor não tem fórmula, ele chega e pronto, ele completa, ele traz a paz desejada, ele caminha de mãos dadas com a tranqüilidade, com a maturidade, com o desejo, com o bem querer, e que não combina com medo, com inconstância, com covardia, nem com dúvidas.
Eu vi histórias de amor, de amores que lutaram, esperaram tanto, por um olhar, por uma palavra, pra sentar junto no ônibus, na parada de ônibus, que levavam o amor por dois quilômetros no varão de uma bicicleta, que esperavam um plantão inteiro pra sair junto, que ligaram pro informador pedindo o número do telefone, que estacionavam o carro na frente da casa da pessoa amada, que subiam em prédios pra olhar pelos "combobós" o amor jogar futebol, ah eu vi gente, eu vi isso, eu vi amigos que amaram até que a amizade se transformou em amor, eu vi amores que esperaram o amor sair de casa, sair do emprego, mudar de cidade, eu vi gente que se arrumava pra impressionar num lugar onde o amor não estava, mas acabou encontrando-o no meio do caminho, eu vi isso também, e vi e vejo um monte de histórias bonitas sobre amor, e quem sabe numa delas eu tenha passado, eu tenha estado ou ainda vou estar?
Voltando ao diálogo com minha amiga Ju, eu disse que não me importa o quanto eu seja uma idiota, mas que nunca fique com alguém, quer junto ou para sempre, sem estar apaixonada, sem sentir aquela tremedeira nas pernas, aquele gelo descendo pela espinha, seguido daquele fogo no rosto, que parece que vai explodir, daquela preocupação com o beijo, com o cheiro do cabelo, daquela alegria de contar tudo pras amigas, daquele sorriso que convence mãe, pai e irmão, ou ainda aquelas frases “não, não vou não que ele vai ligar”, “ele vai me ligar assim que chegar em casa”, “aí a gente vai junto”, ou a célebre “vamo mulhé que o menino tá lá me esperando”...rsrs
Claro que isso tudo eu não falei pra Ju, nisso tudo eu estava pensando quando ela me interrompeu –Mas homem também se apaixona Rafa, mesmo ficando com o mundo inteiro, e eles sim são campeões em esconder paixões, em carregá-las pro altar e depois pro túmulo. Eu sorri e disse: será?

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sonho = Futuro, e o futuro como será?

Passadas as primeiras e últimas coisas, estamos aqui, vencendo as batalhas, as lutas internas, as externas e até as alheias, lutando batalhas que não são nossas até, mas vencendo sempre, sempre. Não há motivos pra não ser assim.
Essa semana eu e July Paiva estivemos discutindo o futuro, o que será de nós daqui a uns dez, vinte anos, vai saber? Eu não procuro pensar muito nisso agora não, nesse momento eu penso em muita coisa, mas principalmente na bendita monografia, nesse segundo capítulo que teima em não querer sair, nele eu falo de educação, e educação é deeeeeeeessssse tamanho, mas eu gosto.
E o futuro? bom, o que vou fazer depois que sair ali naquela Treze de Maio com aquele papelzinho balançando na mão dia 10 de julho, se bem que a gente nem recebe o diploma no dia da colação mesmo, demooooora o negócio.
E aí hein? Estudar pra concurso, e enquanto o concurso não vir? Eu faço o quê? Tento investir na área e arrisco um mestrado fora, em Minas, pra ser mais precisa? Ou uma outra faculdade? Ciências Políticas, ou tento novamente pra Jornalismo? Bom, uma certeza eu tenho, parar de estudar jamais. Eu acho que vou viver disso, de estudar, é que é tão bom, vicia, acho que vou viver disso e morrer disso, de estudar. Eu queria era ter mais tempo ($) rsrsrs
Bom, voltando a minha conversa com Ju, aconselhei minha amiga a fazer Psicologia, ela disse que sempre gostou da idéia, aí eu disse: invista. Realmente ela tem vocação, só em me ouvir, ouvir minhas besteiras pacientemente, e eu sei o quanto minhas besteiras violentam o Ser dela, mas ela ouve, e a gente acha que psicólogo tem que ouvir mesmo tudo calado né? não sei, só sei que Ju é assim e eu dou o maior gás pra que ela tenha estabilidade para investir nesse sonho.
E sonho hein? Sonho = Futuro, e eu tenho tantos que tenho até medo deles. É muita coisa nessa minha cacholinha, mas agora eles estão dando um tempo, procuro não pensar muito neles agora não, só tenho que ter cuidado para não esquecê-los. Eles foram adiados por um instante, pra que o presente pudesse encontrar espaço, só por isso, mas vou voltar a investir neles, semestre que vem começo um desses investimentos, que só darão renda pro meu prazer, vou aprender a tocar um instrumento, se Deus assim permitir, ainda não sei em que horário, mas eu sempre dou um jeito né mermo?! Eu sempre tento, eu sei que dá, eu sempre chego, dá tempo eu sei, e não desisto (exceto quando me faz mal ou faz mal a alguém).
Quanto ao resto fica aqui na minha mente, como eu disse meus sonhos dão medo, e não quero assustar ninguém agora. Só peço a Deus que permita o tempo certo pra que todos eles se realizem, que eu saiba esperar, que eu tenha sensibilidade para percebê-los, pra que as pessoas certas possam protagonizá-los, e pra que em nenhum momento a dúvida me impeça de arriscar, porque dúvida é medo e medo eu não conheço faz tempo.
Agora?
Agora eu quero andar de mãos dadas
com "o que seja o que Deus quiser"
Agora eu vou viver pela fé
o mal, eu vou deixar passar
o bem desejado, esse eu deixo ficar
E a solidão, minha companheira
Ah, qualquer dia lhe dou uma rasteira
Deixo ela em qualquer esquina por aí
pra vê se ela aprende, a infeliz.
"Essa Tal Felicidade Tim Maia
Já rodei todo esse mundo procurando encontrar
Um amor, um bem profundo que eu pudesse realizar
Os meus sonhos de criança, como todo mundo faz
De formar uma família como era dos meus pais
Mas o tempo foi passando e a coisa mudou
Solidão foi se chegando e se acostumou
Essa tal felicidade, hei de encontrar
Mesmo se eu tiver que aguardar, se eu tiver que esperar
De uma coisa eu não desisto, sou fiel não abro mão
De ter filhos, ter amigos, companheira e irmãos
Se essa vida é bonita, ela é feita pra sonhar
Mais aumento o meu desejo de afinal te encontrar
Mas o que eu não me acostumo é com a solidão
Um pedaço do seu beijo ou seu coração
Isso já me fortalece me faz delirar"

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Essa tá aqui faz tempo

Preciso de uma página em branco, preciso passar a limpo tanta coisa. Preciso de uma página em branco pra arremessar as idéias que ficam em redemoinhos na minha cabeça. Preciso de tempo, o tempo que foi me dado é muito curto, e até agora só serviu pra me preocupar com nada mais que meu próprio umbigo, e me enrolar com meus próprios engodos. Preciso de uma tarde, de uma semana toda, de um mês inteiro. O meu desejo agora era um mês inteiro, pra fazer tudo do meu jeito, como eu quero. Preciso parar um pouco ou pararei definitivamente, preciso fazer coisas há tempos planejadas, preciso estar só, preciso estar também acompanhada, preciso de tanto e sei que não preciso de nada. Tudo o que eu preciso está realmente ao meu alcance, mas eu preciso. Eu preciso mudar, eu preciso quando quiser arriscar, eu preciso decidir, ir e tentar. Preciso pôr meus sonhos no lugar, voltar a contemplá-los na minha frente e não mais de lado. Eu preciso disso, é sério. Eu preciso de um tempo pra mim, de um tempo pra tudo. Sabe, preciso de tempo pra muita coisa, pra reparar mais nas pessoas, para amar quem está ao meu redor, para dá-los mais atenção, tempo pra conhecer as coisas que eu não sei, tempo pra escrever, tempo pra chorar por mágoas que podem contaminar meu amor, se não expurgá-las agora, preciso conversar, dialogar mais com Deus, com meus amigos há tempos esquecidos, dialogar com minha alma que anda tão maltratada, a coitada, ultimamente só apanha. 
Ah alma, tão miúda e medíocre  
Alma minha ferida, e entediada nesses últimos dias 
Alma cansada, que faz ainda mais sisuda a minha tez 
E que de vez, tenta me controlar 
Basta para ti alma, faz-me aquietar 
Alma que procura onde não há 
Sinais de coragem pra continuar 
Ah alma minha que subversiva outrora 
Agora se vê covarde, conformada 
Vem debaixo de açoites me subjugar 
Apanha alma e te faz forte, apanha negra alma e te faz alva, e te torna em sangue e dor como a morte e não questiona quando fores aviltada, mas teme e segue em frente 
Pois aquele que fere não entende 
Nem aquele que passa no caminho de largo 
Mas aquele que cura as feridas, esse ama de verdade. 
Inspiração: 
"ESCUTA, ALMA QUERIDA! 
Se alguém te apedrejou o coração, 
Não plantes ódio na alma contundida, 
Nem pranteies em vão... 
Sustenta, no caminho da esperança, 
O perdão por dever, 
Não te dês à vingança 
Esse alguém vai viver. 
Dá sublimado amor que o mundo não descreve,
E, se alguém te despreza com mentiras, 
Não repliques, de leve, 
Nem lamentos profiras; 
Segue à frente, na paz em que te escondas, 
Abraçando a humildade por prazer. 
Por maior seja o insulto, não respondas  
Esse alguém vai viver. 
Seja onde for, se alguém te suplicia, 
Sob golpes brutais, 
Não reclames, não percas a alegria,
Nem te azedes jamais!
Acende a fé no peito sofredor
E procura esquecer.
Infeliz de quem ri na capa de agressor!
Esse alguém vai viver.
Escuta, alma querida!
Quem ofende ou se põe a revidar
Atira fogo e lama à própria vida,
Compra fel e pesar.
Cultiva a compaixão serena e boa,
Envolve todo o mal em bem-querer.
Ai daquele que fere ou que atraiçoa!
...Esse alguém vai viver!!!"
(Chico Xavier)
Eu preciso só parar um pouco, é só isso. “Eu sou um ser humano, se me bater eu sangro” Peter Parker (Homem Aranha)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Voltando




Como disse estou voltando a escrever por aqui, depois de muitas águas passadas, depois de muito tempo sem tempo, depois de muito cansada. Pretendia voltar no dia do aniversário do meu blog, domingo, mas a febre não deixou, essa virose que ataca todo mundo me atacou também, e febre, frio e chuva não combinam bem, e se combinar vira pneumonia. Ando meio longe daquilo que se parece normal, esse ano se mostrou até legal no começo, mas agora já tá embolando o meio de campo, e é sempre assim, quando as coisas não dão certo as outras vão atrás, são coisas invejosas, que querem imitar as outras. Por vezes tive vontade de vir aqui e escrever, mas não deu, falta de tempo, de inspiração, de coragem, e por aí vai. Mas agora eu tô de volta porque meu blog tava largado e quem dera eu tivesse tempo pra cuidar dele e deixá-lo todo bonitinho igual a muitos que eu vi por aí, mas qualquer dia eu enfeito esse negócio aqui. Nesse tempo longe eu vi muita coisa, e quando achava que já tinha visto tudo constatei que não tinha visto nada ainda. Aprendi muito, e é assim, me ensina vida que eu to aqui pra aprender, sou do bem, pago pra vê. Vi que a mentira e o pensar em si mesmo são irmãos, não são gêmeos, mas são filhos do mesmo pai, vi que as pessoas estão em busca de qualquer coisa menos de tranqüilidade, vi que mentir com palavras dói menos do que com atitudes, vi que realmente mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira assim como fala na música, e que aquilo que o nosso coração desconfia ser, na maioria das vezes é, a gente é que não quer reconhecer, e aquela história do “não importa o quanto você se importa, algumas pessoas simplesmente não se importam”, isso é uma máxima. Vi isso e muito mais, reconheci alguns erros, descobri tanta coisa, é e Deus sabe, eu não procuro não, as coisas vêm até mim, eu não tenho culpa, se as verdades se desnudam quando me vêem passar, parece que pra zombar de mim até, mas chegam no tempo certo, as verdades acenam pra mim do alto da torre e gritam: olha! lá vai ela, lá vai ela! Foi sempre assim, o ofendido sempre é o último a saber, mas no final ele sempre acaba sabendo, e isso não só é máxima, como é bíblico. E o que eu devo pensar agora, o que eu devo fazer? Vou fazer um poema besta
 
Poema da constatação da incerteza 
Senti vontade de voltar antes
De olhar na janela e vê se o tempo ainda tava nublado lá fora 
E se tudo o que eu acreditava ainda existia pra mim 
Lá fora a música ainda tocava 
E eu a seguia em cada esquina 
A cada verso trocava de rua, procurava, corria 
Meus passos que nunca foram meus 
Andam sozinhos agora, 
Por si traçam caminhos em busca daquilo que sempre quis. 
E o que eu sempre quis? 
Onde meus pés chegarão? 
Depois de tanto correr 
Ao cruzar a próxima avenida eles me dirão 
As mesmas ruas, as mesmas casas, 
Eu já sei até a direção 
E as minhas asas que nunca mais se abriram 
Para onde me levarão? 
Se ousar erguê-las, se fechar bem meus olhos 
Se me lançar? 
E meus sonhos, agora guardados, quem vai neles apostar? 
E meu sorriso, espontâneo e sem culpa 
Indagava sofrimento a quem tinha dor 
Agora, relaxado, justifica-se com todos, sou obrigada a justificar-me aqui? E meu olhar que sempre planou no ar, 
sem medo de sonhar, de pensar, de imaginar, de construir, 
agora espera, pára e contempla, antes de seguir 
E onde eu vou chegar? 
E como vai ser, 
e que música vai tocar? 
E quanto tempo eu vou ter que esperar 
Pacientemente, mais uma chuva passar?

domingo, 22 de março de 2009

Porque eu tô voltando

"Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando"
Voltando a escrever novamente por aqui só pra não perder o costume desse negócio legal que é o blog. Fofoqueiro, mas legal. E por falar em fofoca tenho uma das grandes, é que agora eu tenho um novo blog em parceria com minha amiga e irmã Aline, menina que eu tanto amo, bibliotecária que eu tanto admiro. É o AD LIBRIS, blog criado em homenagem a turma do curso de Biblioteconomia 2008.2(UFC), minha turminha que levarei pra sempre em meu coração. Bom, quem por algum acidente de percurso vier por aqui e desejar visitar ou contribuir, fique a vontade, não é a Crasa, mas é casa de amigos.
Um cheiro no coração.
*Composição: Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós

domingo, 30 de novembro de 2008

Fechando pra balanço

Por muito tempo da minha vida não dei espaço pro coração, na verdade acho que nunca dei espaço realmente pra ele, por muito tempo fui “Paula”, até ganhei esse apelido de uma amiga de confissão, não porque achasse que não precisava de ninguém pro coração, mas porque nunca tive paciência, nunca tive sorte pra isso. Não entendia como as pessoas eram tão dependentes de outras, como mudavam o curso da vida por gostar, por querer bem, como usavam manias, trejeitos do outro, como mudavam o comportamento, não saiam, davam satisfação pra tudo, isso não combinava comigo, que sempre dei satisfação por opção. Isso foi assim até o dia em que me apaixonei. “Meu Deus, é de verdade, é um milagre!” foi o que ouvi da amiga de confissão. Mas como disse, nunca tive sorte pra essas coisas, fui ter logo uma paixão platônica, dessas bem loucas, sem explicação, dessas que não controla os impulsos, mas que ao mesmo tempo morre de vergonha, de medo idiota, que cada vez que vê a pessoa amada sente fios elétricos passando pelo corpo inteiro, dando descargas de uns dez mil volts, num músculo tão frágil que é o coração. Pronto o negócio tava feito, tinha uma paixão impossível agora, pior que isso só um fora, e foi o que aconteceu, o fora veio,vários deles. Eu não disse que não tinha sorte? Pois é, e ainda tive que vê-lo depois disso, legal né? É, né legal não. É ruim, ruim mesmo. Daí eu resolvi desistir de investir nisso tudo, porque só devemos desistir do que faz mal a alguém ou a nós mesmos, e tudo isso estava/está me fazendo mal, e essa não é a intenção, não quero que nada disso se mostre feio, triste, ou ruim. Sabe, e eu sou uma pessoa até legalzinha e tenho certeza que tenho o direito de ser feliz, direito não, obrigação. Todos nós temos. Obrigação de se sentir bem, de se sentir seguro, de poder dar carinho e receber em troca, isso sem culpa, sem medo, sabe, andar de mãos dadas na praia, sentar pra conversar e esquecer a hora, conversar até tarde no telefone, rir, brigar, chorar, esse monte de coisa aí, que vivem as pessoas que encontram outras bem legais e resolvem apostar. E já que não deu certo, eu tô fechando meu coração pra balanço. Final de ano um balanço é necessário, pra um ano novo, que vai nascer bem melhor, eu creio assim. Vou fazer um balanço de tudo. Depois do balanço aí eu vejo o que lucrei, o que perdi, ver o que realmente é melhor pra cada um. Isso até pode parecer comum a quem, por alguma conspiração do Universo, chegar a ler isso aqui, afinal esse tipo de história é comum a muita gente, mais do que se possa imaginar, é sério, descobri isso ao ler o blog do Fernando Carrara, lá ele fala de amores impossíveis e aconselha quem passa por um. http://fernandocarrara.blogspot.com/2008/10/amores-impossveis.html