quarta-feira, 13 de maio de 2009

E minha conversa com Ju continuou...

E minha conversa com July Paiva não terminou só em futuro não, discutimos sobre muita coisa e no final veio aquele assunto de sucesso, principalmente no imaginário feminino, assunto que vende milhões de discos e livros, que movimenta mercados e milhões de cifras no mundo inteiro, que por ele se mata e até morre, adivinhem? é, é o amor.
E July me disse: como é que tem gente que vive com quem não ama? Que passa a vida inteira do lado de quem não ama de verdade? E eu completei –casa, tem filhos, constrói família, empresas, sociedades, sonhos, com quem não ama de verdade, isso acontece nas melhores famílias moça. Aí Ju interrompeu –Deus me livre de ser assim comigo mulher, se eu tiver de casar que eu case apaixonada.
É meu querido, tem gente que vive com uma pessoa a vida inteira, carregando outra no pensamento, e mulher adora fazer isso, faz isso como ninguém, como já dizia Zé Ramalho, “quantos segredos traz o coração de uma mulher”, aí eu lembrei das palavras da sábia Jô Benício sempre justificando a classe: “por isso ao homem ficou o mandamento mais difícil, pois a mulher para amar Rafa, basta ser amada”.
Josélia vive tentando me convencer que tem fórmula pro amor, que quem escolhe é o homem, que relacionamentos só dão certo quando o homem ama mais, que paixão é ruim e que nunca vem antes das duas metades se conhecerem de verdade, que mulher ama demais, e esse monte de coisa, que eu nunca concordo muito, mas escuto. Escuto e retruco, pois pra mim o amor não tem fórmula, ele chega e pronto, ele completa, ele traz a paz desejada, ele caminha de mãos dadas com a tranqüilidade, com a maturidade, com o desejo, com o bem querer, e que não combina com medo, com inconstância, com covardia, nem com dúvidas.
Eu vi histórias de amor, de amores que lutaram, esperaram tanto, por um olhar, por uma palavra, pra sentar junto no ônibus, na parada de ônibus, que levavam o amor por dois quilômetros no varão de uma bicicleta, que esperavam um plantão inteiro pra sair junto, que ligaram pro informador pedindo o número do telefone, que estacionavam o carro na frente da casa da pessoa amada, que subiam em prédios pra olhar pelos "combobós" o amor jogar futebol, ah eu vi gente, eu vi isso, eu vi amigos que amaram até que a amizade se transformou em amor, eu vi amores que esperaram o amor sair de casa, sair do emprego, mudar de cidade, eu vi gente que se arrumava pra impressionar num lugar onde o amor não estava, mas acabou encontrando-o no meio do caminho, eu vi isso também, e vi e vejo um monte de histórias bonitas sobre amor, e quem sabe numa delas eu tenha passado, eu tenha estado ou ainda vou estar?
Voltando ao diálogo com minha amiga Ju, eu disse que não me importa o quanto eu seja uma idiota, mas que nunca fique com alguém, quer junto ou para sempre, sem estar apaixonada, sem sentir aquela tremedeira nas pernas, aquele gelo descendo pela espinha, seguido daquele fogo no rosto, que parece que vai explodir, daquela preocupação com o beijo, com o cheiro do cabelo, daquela alegria de contar tudo pras amigas, daquele sorriso que convence mãe, pai e irmão, ou ainda aquelas frases “não, não vou não que ele vai ligar”, “ele vai me ligar assim que chegar em casa”, “aí a gente vai junto”, ou a célebre “vamo mulhé que o menino tá lá me esperando”...rsrs
Claro que isso tudo eu não falei pra Ju, nisso tudo eu estava pensando quando ela me interrompeu –Mas homem também se apaixona Rafa, mesmo ficando com o mundo inteiro, e eles sim são campeões em esconder paixões, em carregá-las pro altar e depois pro túmulo. Eu sorri e disse: será?

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