domingo, 28 de março de 2010

Quase


Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.


Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.


Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.


A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.


Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.


Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.


Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.


Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.


Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Luís Fernando Veríssimo

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ressaca Espiritual

Esses dias o povo vai voltando, repovoando Fortal que ficou um deserto nesse carnaval, eu mesma não reconheci o Paranjana, vaguinho, não e na noite de terça-feira, dez horas, três gatos pingados e só eu de passageira feminina no Messejana Parangaba, eu disse Valha! Bem que a cidade poderia ser assim o tempo todo, sem muita loucura né? Acho que estou deixando de ser urbana e isso, por incrível que pareça, é ótimo.

Bom, e agora preparem-se para segunda-feira, quando realmente o ano começa, e onde se vive o melhor da festa, contar pra todo mundo como foi o seu carnaval, disputar com o colega de trabalho o carnaval mais empolgante, dizer quantas “minas” beijou, qual “bombadinho” ficou, e por aí vai, mas se o melhor é isso né não, contar o melhor da festa. E eu, não diferente, to vindo aqui contar o meu melhor da festa, que pra mim começou no sábado, com o primeiro dia de ConfraJUC, o evento mais esperado por mim desde o início do ano, e que foi uma benção. Eu confesso que estava ansiosa para estar vivendo esses quatro dias, guardava uma expectativa muito grande em meu coração e que não se frustrou. 

Nesses quatro dias estivemos mergulhados intensamente em águas profundas da graça e do conhecimento do Senhor. Os louvores, a Palavra pregada, os estudos, tudo feito para renovar nossa esperança, para encher nossos corações de alívio e para que aprendêssemos ainda mais da boa, perfeita e agradável vontade de Deus para nossas vidas. Cada noite era uma expectativa a mais, sempre a vontade de que o outro dia fosse ainda melhor, e foi. Promessas antigas foram renovadas, meu ministério foi abençoado sem medida, e voltei renovada, com forças para enfrentar não apenas um ano, mas uma vida inteira. 

Enquanto todo mundo chega com um peso a mais que suas mochilas nas costas, de ressaca física, ou até de ressaca moral, nós voltamos de ressaca espiritual, revigorados, completamente cheios de vontade de arregaçar as mangas e trabalhar, e vamo lá que tem muito trabalho ainda pela frente, e no próximo ConfraJUC quero estar trabalhando e ajudando, se assim Deus permitir.


Fel

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Respire profundo e mergulhe de cabeça


Certo dia estive de frente pro mar,
Eu e alguém que tinha escolhido pra ser meu benzinho
Alguém que cabia na medida certa do que eu estava precisando, que eu havia escolhido a dedo, com as características que vivo procurando em alguém, às vezes acho que me procuro nas pessoas.
Aí, expliquei ao meu benzinho que nós tínhamos mundos diferentes, ele se convenceu
Ele me apresentou seu mundo e eu o convidei pra conhecer o meu, ele não quis, se recusou.
Segurei em sua mão e disse que não tivesse medo, mostrei como seria, e ele temeu, me disse nessas palavras, que tinha medo, e eu, o que pude fazer?
Por isso quem quiser vir pro meu mundo, que venha sabendo, que respire profundo e que mergulhe de cabeça.
Só venha pro meu mundo se você for capaz de mudá-lo, de transformá-lo
se for capaz de me fazer esquecer das guerras e da fome,
das contas d’água e de telefone
se falar a verdade, pois mentira até no cheiro eu posso sentir
se souber me censurar, e depois calar pra me ouvir
se não se acostumar com a minha bagunça, se conseguir me organizar,
meus livros, meus papéis, pois estão espalhados em todo lugar,
é de fazer qualquer um desistir
e meus horários, meu Deus, meus horários, meus atrasos,
teve gente que já desistiu, foi embora, e eu nunca mais vi
Se vier pro meu mundo já vem sabendo que vai encontrar
uma cabeça meio vazia, mas cheia de problemas pra ocupar,
um olhar, um calendário, um relógio atrasado
uma timidez disfarçada em mão no bolso, no cabelo,
uma espontaneidade exagerada, quase que forçada
um grito na risada, uma idéia que não quer calar,
um falar alto, de gente mal educada,
mas sempre um abraço pra entregar
um telefone que quase sempre é esquecido, descarregado, em qualquer lugar
uma preguiça, mas alguém que se doa no que faz
porque trabalho é trabalho,
e garrafa vazia em cima da pia, é só garrafa vazia em cima da pia,
e elas ficam lá se amontoando, até vir o belo carão
Se vier pro meu mundo já sabe que não vai ter minhas horas, meus dias e semanas,
Mas eu empresto sim, só não empresto os domingos à tarde, esses eu não abro mão, eles nem meus são, aliás, eu não tenho nada não, tudo em mim já tem dono, é bom saber disso também.
E eu falando como se tivesse alguém realmente interessado em conhecer meu mundo aquis. E se você ceder, aí eu também vou ceder, e vou conhecer o seu mundo, quem sabe o seu mundo vire o meu, quem sabe os seus amigos virem os meus, a sua família vire a minha, as manhãs dos meus domingos sejam na sua cozinha, minhas sextas-feiras sejam na sua companhia, e seu sorriso me abrace num sábado à tarde. Aí quem sabe minhas férias sejam no seu lugarejo, praia, sertão ou serra, e aí quem sabe eu te convide pra realizar um sonho meu, comigo, lá no meu interior, no meio d’água, no meio do mato (ops! sem pensar besteira) com um monte de mosquito marcando a tua pele... ...meu Deus, eu nem ia contar esse e já estou contando.  

Fel

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Hoje

Hoje eu precisava chegar em casa
Eu precisava chorar 
Eu precisava chegar em casa e chorar
Eu precisava chegar rápido em casa e chorar

Fel

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

...

Gente, foi muita coisa acontecendo nesses últimos dias, no último dia 21 de dezembro colei grau, sim, isso mesmo, me formei, e por causa de toda a loucura da monografia e da colação de grau, eu não pude vir aqui postar, mas tudo bem, eu estava tão feliz, mas tão feliz que nem sei. Foi uma mistura de alívio com alegria, parece que a ficha ainda não caiu, bom, mas agora é partir para as correções e dá entrada no diploma e no registro profissional e pronto, aí tudo estará completo.  


Já falei o quanto esta minha primeira graduação é importante pra mim não é? Nem preciso comentar novamente que por isso eu estou feliz e vou dar continuidade aos meus planos. Meus planos não ambicionam muito não. É, até houve um tempo em que eu sonhava com um volvo na garagem, e um jardim de 40m², mas eu não consegui casar com jogador de futebol, kkkkkkkkkk. Besteiras à parte, eu quero pôr em prática algumas idéias aqui na mente. Sabendo que vivo por fases, que a vida é curta e que eu queria ser e viver tantas coisas, e que pra todas elas existe um tempo, eu estou me permitindo viver tudo em seu tempo, uma fase de cada vez. 


Eu me dei um tempo para o amor, esperei por ele, como quem senta num banco de praça a espera do namorado atrasado, e olhava para o relógio constantemente, sabendo que o tempo passava, e procurava no caminho o sinal da mulêra de alguém, mas não, não era o meu bem, vindo para mim.  


E o tempo passou, a ampulheta derramou seu último grão, caminhei até a parada do ônibus, antes de subir, ainda olhei mais uma vez para ver se via algum sinal, mas não, não apareceu. É como se alguém virasse pra mim e dissesse “–Rafa, tá bom, vamo lá, tem muita coisa ainda”  


E não se trata apenas de não ter nenhum motivo pra continuar, porque realmente eu não tenho nenhum motivo, mas falo de prioridades agora, pois pra mim, o tempo corre com furor. Minhas prioridades são donas de mim agora, o que elejo, o que escolho. Isso foi um processo que começou há mais de um ano, foi duro, está sendo ainda, confesso, mas estou conseguindo, você ajuda muito, por sinal, eu faço é agradecer, acidez à parte, que se não fosse assim, seria ainda mais difícil. 


Sempre quando decido abandonar esse negócio de paixão aparece alguma coisa pra impedir, o telefone toca, a janelinha do msn tilinta, surge uma poesia nova, mas dessa vez não, tô levando esse negócio da prioridade a sério, e vou conseguir. Talvez esteja dizendo não pras pessoas erradas, o não pra pessoa certa, na hora errada, não sei, só sei que esse é o meu não, e ele está saindo assim, a torto e à direito, sem ver em quem vai bater, a quem vai ferir, mas está indo, está saindo. 


O momento do amor passou, eu tive tempo, eu tive o tempo do amor , eu pedi esse tempo sabia? Mas o tempo de se perder tempo com amor passou, pena eu não tê-lo aproveitado como devia. Meu Deus, e como eu lamento isso. Eu escolhi a pessoa errada pra gastar o tempo do amor, a escolha é minha, o erro foi meu.


Eu não sou leviana, Deus sabe, e não me deixa mentir. Muito menos pago na mesma moeda. Nunca, jamais retrato, não é um dos meus defeitos a mesquinhez. Sou dos que oferecem a outra face, sou dos que preferem sofrer o dano. Levo tudo muito a sério, porque acho que a vida quer isso da gente, quando minha velhice chegar saio por aí brincando, e esnobando de um bando de idiota que, como eu, leva tudo muito a sério, mas, por enquanto, eu tô levando tudo muito a sério sim. É a minha vida, são os meus sentimentos, é o meu coração. Eu tô decidindo. Eu tenho direito e quero respeito quanto a isso. 


Também não quero sair de tudo isso como uma frustrada, despeitada, não "adianta regar a planta com veneno na garganta". Reconheço que há uma ponta de mágoa em meu peito, aguda e inflamada, como só Deus sabe, mas ela é minha, eu a busquei, eu a procurei, não ferirá ninguém, eu prometo, e o tempo tratará disso. Tratou uma vez, tratará novamente. 


Bola pra frente, que tem muita coisa ainda, o mundo me espera, pessoas me esperam, sorrisos, abraços me esperam, a vida me espera. Temos muito trabalho pela frente.



"E quanto vale o tempo todo que vivemos 
Correndo atrás dos sonhos 
Pra viver só de amor 
E quanto a gente paga pelos sonhos que deixou?"

domingo, 3 de janeiro de 2010

Chega assim, de mansinho...

Chega assim de mansinho

Vem devagar, dia após dia

Chega assim devagarinho

Vem, cheio de promessas

Fazendo carinho

Que te quero todas as horas, todos os dias

Os trezentos e sessenta e cinco que tenho direito

Chega assim, devagarinho,

E se renda a mim

E seja meu

Seja meu por direito

Seja meu por completo

Seja meu com sucesso

Seja meu

Ah Ano Novo, Novo Ano

Que sorri nessa manhã tão clara

Vem e me abraça e seja meu

Seja meu ano, o ano da Rafinha.

"Adeus ano velho,

Feliz Ano Novo

Que tudo se realize no ano que vai nascer..."

Esse ano passado foi estranho, acho que pelas inúmeras expectativas que havia posto nele, a monografia e a colação de grau, o último ano de Conselho, a habilitação, e por aí vai, eram muitas expectativas, o que deixava meu coração na mão o tempo inteiro, e por isso a sensação de que o ano passou ligeiro. Mas enfim, passou com toda a sorte de experiências que eu poderia ter vivido, foi muito choro, pouca vela, algumas gargalhadas, outros tantos sorrisos. Conheci pessoas novas, amigos que se fizeram presentes(Nati, Lea, Mari, Ivana, Romário, Juscê, Laninha, Michel, Bira, Jhuly, Gef, Wesley, Bárbara, Leo, Aline, Josélia, Geane, Evinha, Alcelânia, Eduardo, Dudu, Carla Rebecca,...), outros que senti a ausência. Umas paixões frustradas, umas outras revoltadas, e assim foi passando até que chegou esse 2010, que espero ser de muitas realizações pra todos nós. Que o nosso país possa ser menos injusto, que tenha emprego pra todo mundo, saúde e qualidade de vida pra todos nós, e que Deus possa encontrar morada em nossos corações. Um Feliz 2010 para todos, muito sucesso, trabalho, amizades sinceras, amores só a massa, como me desejou minha amiga Kátia, e saúde pros nossos queridos e pra gente também.

(Meu Deus, eu creio e confio em Ti, vem comigo nesse ano e me ajuda a prosseguir, estou com os olhos fitos no céu, esperando das tuas mãos!!!! Amém.)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Lêndea Preta

Bom, muito tempo sem vir aqui e desabafar essas minhas coisas, não sei o que quero eu, uma pessoa sem tempo, escrevendo num blog. Uma da manhã e não consigo ter sono, acabei de tomar um banho, e vim aqui escrever enquanto o cabelo seca, pois dormir de cabelo molhado não dá certo, como diz minha mãe, dá lêndea preta, rsrsrsrs



Bom, e vim aqui pra dizer que as coisas que me perturbavam nesses últimos dias estão se resolvendo, uma a uma, no seu tempo, e eu tô mais tranquila. Terminei minha mono gente, cês não tem idéia de como isso é bom, agora é só apresentar, depois eu venho aqui dizer o dia da apresentação, porque "monografia ninguém defende, a gente defende tese, monografia a gente apresenta" como diz uma professora ali, rsrsrsrsr, aff...




É estranho que nesses dias eu esteja assim, tão cansada fisicamente, e feliz, afinal, foram vários dias dormindo uma da manhã, quando não, acordadndo nesse horário, pra terminar essa bendita monografia. Sem falar no trabalho, prestação de contas pra fazer, dois relatórios pancadão, matrículas já começaram, dos nossos veteranos e o remanejamento dos alunos do 9° ano, o Mais Educação, as atas que, graças a Deus, agora não vou mais vê-las por um bom tempo, assim espero, e toda a minha pequena loucura diária, srrsrsrs. 


Como disse, estou feliz porque estou bem mais perto de me formar e isso me deixa alegre por demais. É sim uma realização pessoal pra mim, já que estudei grande parte da minha vida em escola pública, e os poucos anos que estudei em escolas particulares foi por meio de bolsas. Quando me lembro do meu terceiro ano, à noite, lá no Paulo Benevides, meu Deus a Universidade era um sonho pra mim, ainda mais a UFC. Chegava do trabalho às vezes seis, às vezes sete da noite, tomava banho e ia pra aula, às vezes sete e quarenta ,o vigia ainda me deixava entrar, pra assinstir aula até às nove, meu Deus, nem sei como consegui terminar. Me lembro que meu primeiro vestibular eu tentei pra Jornalismo, e no dia da inscrição aconteceu um fato interessante, cheguei mais tarde no trabalho e disse pro meu gerente que tinha ido fazer minha inscrição no vestibular da UFC, ele me disse:- o que é que tu quer fazendo vestibular da UFC, tu acha que tu passa é? É, não passei pra Jornalismo, mas passei pra Biblioteconomia, e tô aqui hoje, cinco anos depois, me formando, uma bibliotecária, sim senhor, e com muito orgulho. Ê mundo véi pra girar menino. 

Bom gente, meu cabelo já secou, vou tentar dormir.  
Boa Noite e um cheiro no coração.  
Fiquem com Deus  
Fel.