Certo dia estive de frente pro mar,
Eu e alguém que tinha escolhido pra ser meu benzinho
Alguém que cabia na medida certa do que eu estava precisando, que eu havia escolhido a dedo, com as características que vivo procurando em alguém, às vezes acho que me procuro nas pessoas.
Aí, expliquei ao meu benzinho que nós tínhamos mundos diferentes, ele se convenceu
Ele me apresentou seu mundo e eu o convidei pra conhecer o meu, ele não quis, se recusou.
Segurei em sua mão e disse que não tivesse medo, mostrei como seria, e ele temeu, me disse nessas palavras, que tinha medo, e eu, o que pude fazer?
Por isso quem quiser vir pro meu mundo, que venha sabendo, que respire profundo e que mergulhe de cabeça.
Só venha pro meu mundo se você for capaz de mudá-lo, de transformá-lo
se for capaz de me fazer esquecer das guerras e da fome,
das contas d’água e de telefone
se falar a verdade, pois mentira até no cheiro eu posso sentir
se souber me censurar, e depois calar pra me ouvir
se não se acostumar com a minha bagunça, se conseguir me organizar,
meus livros, meus papéis, pois estão espalhados em todo lugar,
é de fazer qualquer um desistir
e meus horários, meu Deus, meus horários, meus atrasos,
teve gente que já desistiu, foi embora, e eu nunca mais vi
Se vier pro meu mundo já vem sabendo que vai encontrar
uma cabeça meio vazia, mas cheia de problemas pra ocupar,
um olhar, um calendário, um relógio atrasado
uma timidez disfarçada em mão no bolso, no cabelo,
uma espontaneidade exagerada, quase que forçada
um grito na risada, uma idéia que não quer calar,
um falar alto, de gente mal educada,
mas sempre um abraço pra entregar
um telefone que quase sempre é esquecido, descarregado, em qualquer lugar
uma preguiça, mas alguém que se doa no que faz
porque trabalho é trabalho,
e garrafa vazia em cima da pia, é só garrafa vazia em cima da pia,
e elas ficam lá se amontoando, até vir o belo carão
Se vier pro meu mundo já sabe que não vai ter minhas horas, meus dias e semanas,
Mas eu empresto sim, só não empresto os domingos à tarde, esses eu não abro mão, eles nem meus são, aliás, eu não tenho nada não, tudo em mim já tem dono, é bom saber disso também.
E eu falando como se tivesse alguém realmente interessado em conhecer meu mundo aquis. E se você ceder, aí eu também vou ceder, e vou conhecer o seu mundo, quem sabe o seu mundo vire o meu, quem sabe os seus amigos virem os meus, a sua família vire a minha, as manhãs dos meus domingos sejam na sua cozinha, minhas sextas-feiras sejam na sua companhia, e seu sorriso me abrace num sábado à tarde. Aí quem sabe minhas férias sejam no seu lugarejo, praia, sertão ou serra, e aí quem sabe eu te convide pra realizar um sonho meu, comigo, lá no meu interior, no meio d’água, no meio do mato (ops! sem pensar besteira) com um monte de mosquito marcando a tua pele...
...meu Deus, eu nem ia contar esse e já estou contando.
Fel
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