Um ano já se passou, um ano já se fez desde que deixei minha amada capital, desde que o “azulzim” cruzou o Jaguaribe me trazendo pra longe dos braços do meu amor. O texto abaixo é em homenagem à Fortaleza que hoje faz aniversário (285 anos), ele foi feito depois das chuvas de 2009 e hoje achei que deveria postá-lo embora saiba que a chuva parece não dar trégua por lá.
Até que enfim o sol voltou às pazes com a nossa capital, porque briga de casal ninguém mete a colher, mas essa já estava demais. Amo a chuva, nem falo quantas vezes a amei, o quanto ela em alguns momentos foi minha companheira, mas se o sol não voltasse a aparecer o mofo ia consumir até nossas carnes, quanto mais as roupas, o guarda-roupas.
E a nossa loirinha, de posse do seu amado voltou a sorrir. Sim, Fortal é loira, para despeito de todas as morenas capitais, Fortal é loira, bronzeada, de pelos dourados, e morram de inveja as morenas. Fortal é um doce, um prazer somente pra quem conhece seus caminhos, suas manhas, esconde em suas vielas a pureza dos meninos que, matusquelas, passam as tardes a correr e rodopiar, salpicando as canelas de lama da terra e enchendo e sujando os lençóis das vizinhas estendidos no varal.
Fortal na verdade, não é mais moça e todos disso já sabem, foi ultrajada a coitada, violentada, do interior ao mar. Rasgaram suas saias e tiraram sua inocência e a mandaram às ruas, às avenidas tristes das noites de domingo, deixaram-na ali, em plena José Bastos em tarde de carnaval, cuspiram em seu rosto, lhe maltrataram, lhe esbofetearam, disseram tudo o que não era a seu respeito.
Mas há quem ame Fortal, eu a amo e escolheria ela por minha mulher cem vezes, mil vezes se fosse preciso. Eu subiria no farol do Mucuripe pra de lá cantar meu amor, eu desceria o Serviluz, subiria o Santa Terezinha, armado de canivete, eu pegaria munçu na Lagoinha, pescaria no canal do Lagamar. Descendo mais, eu me treparia no cangote da Iracema, e num cangapé mergulharia na Lagoa da Messejana, tudo isso por Fortal, minha linda, minha criança. E as tardes dela são tão meigas, parece que quando o sol resolve baixar, ela toda se entremete numa melancolia sem par, nas calçadas, as mulherzinhas se sentam para falar da filha da vizinha que mês que vem vai casar, os meninos novamente correm, agora banhados, cabelinho de lado, calçãozinho engomado, refresco de morango pra merendar.
E novamente a noite chega, ela se acende, com seu olhar de luzes incandescentes, luzes de cabaré, dizem as más línguas, mas eu não ligo, desde que esse olhar cruze comigo, ah Fortal, és tudo mesmo pra mim. E eu te desejo tanto menina, passa ainda hoje por mim aqui na Beira Mar, no pic ou fazendo carreira, pra atrás de ti eu caminhar. Quero experimentar teu beijo molhado, minha sina, molhado com o salgado do teu mar, do mar da Sabiaguaba, de ondas violentas, quebrando a enseada das rochas, surfista nenhum ousa arriscar. Nas tuas feiras deixa eu negociar, nas quintas-feiras, na Aerolândia, nas sextas-feiras no Santa-Maria, no sábado, São Cristóvão, João Paulo, Conjunto da Marinha, na segunda à noite Benfica, Fátima , no domingo Messejana ou na Lagoinha.
Ah Fortal, mas você pra mim não liga, e passa fazendo desdém, só dá bola pra quem tem, como eu nunca vou ter. Se eu tirasse a sorte grande, pra te comprar um Cocó novo, te devolver da praia o Futuro que te roubaram, aí sim tu ia ligar pra mim. Ma eu te amo Fortal, e enquanto tu te embelezas pra parecer o que não é, pra gente que como eu nunca vai ser, gente que acha que paga mais com a renda do imposto, do que eu com o suor do meu rosto ainda pago muito mais por você.
Fel....
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